“A evolução da qualidade amplia as possibilidades de uso do conilon pela indústria…”
Fabiano Tristão Alixandre é coordenador estadual de Cafeicultura do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper. Engenheiro agrônomo e mestre em Agronomia, é doutorando em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES. Atua com melhoramento genético, manejo de lavouras, qualidade de bebida, sustentabilidade e transferência de tecnologias para a cafeicultura.
AgriBrasilis – Por que o mercado está demandando mais café conilon?
Fabiano Tristão Alixandre – Principalmente pela evolução da qualidade dos grãos, impulsionada por novas tecnologias e pelo aprimoramento do manejo, da colheita e do pós-colheita. Isso tem permitido ampliar a participação do conilon nos blends com arábica e abrir mercados para o consumo de canéforas puros e de maior qualidade.
Também pesam a competitividade econômica, a versatilidade para a indústria e as mudanças na oferta mundial de café. Os canéforas de qualidade vêm ganhando espaço inclusive no segmento de cafés especiais, criando novas possibilidades de diferenciação e agregação de valor.
AgriBrasilis – O que o melhoramento genético mudou no café conilon?
Fabiano Tristão Alixandre – O melhoramento genético permitiu selecionar e desenvolver clones com maior potencial produtivo, melhor qualidade de bebida e maior adaptação às condições de cultivo.
Cultivares desenvolvidas pelo Incaper, como Centenária, Jequitibá e Diamante, apresentam potencial produtivo superior a 120 sacas/ha em condições irrigadas e com manejo adequado. Esses materiais também têm potencial para produzir cafés acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA).
As cultivares clonais ainda aumentam a uniformidade das lavouras e permitem explorar melhor o potencial genético, desde que sejam respeitadas a compatibilidade reprodutiva entre os clones e as recomendações de manejo.
AgriBrasilis – O que se busca nas novas cultivares?
Fabiano Tristão Alixandre – Alta produtividade, qualidade de bebida, resistência a pragas e doenças e maior tolerância à seca e às temperaturas elevadas. Também buscamos materiais com estabilidade produtiva e adaptação a diferentes condições edafoclimáticas.
Arquitetura da planta, vigor, uniformidade de maturação e eficiência no uso de água e nutrientes também são características importantes. A combinação desses fatores pode facilitar o manejo, reduzir custos e aumentar a eficiência da produção.
AgriBrasilis – O que essas cultivares entregam para o produtor e para a indústria?
Fabiano Tristão Alixandre – Para o produtor, significam maior potencial produtivo, melhor qualidade dos grãos, menor risco de perdas e novas oportunidades de agregação de valor. Também permitem produzir mais na mesma área, aumentando a eficiência no uso da terra e dos recursos naturais.
Para a indústria, oferecem matéria-prima de melhor qualidade e maior uniformidade, além de mais regularidade no abastecimento. A melhora sensorial também amplia as possibilidades de uso do conilon em blends e em produtos destinados a diferentes perfis de consumidores.
AgriBrasilis – Dá para aumentar produtividade e qualidade sem perder rusticidade?
Fabiano Tristão Alixandre – Sim. Esse é justamente um dos objetivos do melhoramento genético: selecionar clones que combinem produtividade, qualidade de bebida e adaptação às diferentes condições ambientais.
Os materiais são avaliados em diferentes ambientes para medir estabilidade produtiva, tolerância a estresses bióticos e abióticos e desempenho sensorial.
Mas o potencial genético precisa estar associado a boas práticas agrícolas. Manejo nutricional, hídrico e fitossanitário adequado, além de cuidados na colheita e no pós-colheita, são fundamentais para que os ganhos de produtividade e qualidade sejam alcançados.
AgriBrasilis – Até onde o café conilon pode avançar fora do Espírito Santo?
Fabiano Tristão Alixandre – O Espírito Santo se consolidou como principal produtor por reunir condições edafoclimáticas favoráveis, tradição dos produtores e investimentos contínuos em pesquisa, melhoramento genético, assistência técnica e inovação.
Rondônia e Bahia também são importantes produtores de cafés canéforas e mostram que existe espaço para expansão. O avanço para novas regiões dependerá principalmente da seleção de materiais adaptados às condições locais.
Temperatura, disponibilidade hídrica, características dos solos e viabilidade econômica precisam ser considerados. A integração entre pesquisa, assistência técnica e produtores será fundamental para consolidar novas regiões produtoras.
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