Destaque Ambiental Brasil & América Latina (25/10/26 – 31/10/26)

Published on: October 30, 2026

Brasil atualiza lista de flora ameaçada para 3,73 mil espécies


Brasil

Fundo Verde para o Clima (GCF) aprovou dois veículos de investimento voltados ao Brasil, com valor total de até US$ 1,7 bilhão. O primeiro receberá US$ 250 milhões do GCF e será estruturado com BNDES e Brookfield para formar um fundo de até US$ 1,3 bilhão destinado a energia renovável, armazenamento em baterias, descarbonização industrial, combustíveis sustentáveis, hidrogênio verde, economia circular e soluções baseadas na natureza. O segundo, gerido pela eB Capital, terá US$ 400 milhões para investir em empresas de armazenamento de energia, bioinsumos, irrigação, reciclagem avançada e geração de energia a partir de resíduos. (GCF)

Ministério do Meio Ambiente atualizou a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, que passou a reunir 3.730 espécies, ante 3.209 na revisão de 2022. São 838 classificadas como vulneráveis, 2.162 em perigo, 728 criticamente em perigo e duas criticamente em perigo e possivelmente extintas. Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e palmito-juçara (Euterpe edulis) permanecem entre as espécies vulneráveis, enquanto araucária (Araucaria angustifolia) está classificada como em perigo e pau-brasil (Paubrasilia echinata) como criticamente em perigo. Nova relação foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783/2026, publicada em 28/10. (MMA)

BNDES aprovou R$ 250 milhões do Fundo Clima para a Tree+, empresa brasileira de bioeconomia, recuperar 22,2 mil hectares de áreas degradadas no norte do RJ, incluindo mais de 6,6 mil hectares de Mata Atlântica. Projeto terá investimento total de quase R$ 390 milhões, plantio de 1,9 milhão de mudas nativas e adoção de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e sistemas agroflorestais. (BNDES)

Ibama multou em R$ 50 milhões uma empresa que tentaria exportar ilegalmente mais de 17 toneladas de barbatanas de tubarão pelo Porto de Itapoá, SC. Carga, declarada como sardinhas congeladas e destinada à Malásia, continha barbatanas de tubarão-azul (Prionace glauca) e anequim (Isurus oxyrinchus), espécie ameaçada de extinção. Ibama estima que aproximadamente 5,7 mil tubarões tenham sido abatidos para obtenção do material. (Ibama; Receita Federal)

Câmara de Bauru, SP, investiga possíveis irregularidades na concessão dos serviços de resíduos sólidos do município, estimada em R$ 5,26 bilhões por 30 anos. Contrato inclui coleta, reciclagem, compostagem, tratamento e destinação final do lixo urbano. Entre os pontos questionados estão exigências do edital que poderiam restringir a concorrência e a definição do aterro responsável por receber os resíduos. Processo licitatório foi suspenso pelo TCE-SP, enquanto a Comissão Processante segue apurando como a concessão foi estruturada. (Câmara Municipal de Bauru)

Sanepar informou que tratou quase 457 bilhões de litros de esgoto em 2025, evitando o lançamento do volume em rios e córregos. Qualidade da água foi classificada como boa em 87% dos 172 pontos monitorados no PR, ante 81% no levantamento anterior. Companhia prevê R$ 13 bilhões em investimentos até 2030 para ampliar o saneamento e mantém ações de recuperação de APPs, controle de erosão e proteção de nascentes. (Sanepar)

Justiça Federal confirmou a proteção integral do Monumento Natural Estadual das Itans, em Cajueiro da Praia, PI, e afastou a validade da Lei Estadual nº 8.588/2025, que havia rebaixado a unidade para a categoria de uso sustentável. Área abriga manguezais, restingas, sítios arqueológicos e berçário do peixe-boi-marinho. Decisão determina fiscalização sob regime de proteção integral, prevê multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento e fixa prazo até 10/03/27 para conclusão do plano de manejo. Ainda cabe recurso ao TRF1. (MPF)

Países Baixos anunciaram US$ 500 milhões para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), elevando compromissos anunciados para US$ 7,8 bilhões. Mecanismo proposto pelo Brasil pretende formar fundo de US$ 125 bilhões, combinando capital soberano, filantrópico e privado, para remunerar países que conservem ou ampliem florestas tropicais. Pelo menos 20% dos recursos recebidos deverão ser destinados a povos indígenas e comunidades locais. (MMA)

Petrobras reduziu 23,8% a intensidade de carbono do combustível sustentável de aviação (SAF) produzido a partir de óleo de milho na Refinaria Duque de Caxias, RJ. Resultado foi reconhecido na recertificação ISCC CORSIA e decorreu, entre outros fatores, de redução de 29% na intensidade de carbono do hidrogênio utilizado no processo. (Petrobras)

Prefeitura de Santarém, PA, decretou emergência ambiental e proibiu o uso do fogo no município por 180 dias, diante do aumento dos incêndios e da piora da qualidade do ar, classificada como “muito ruim” pela Universidade Federal do Oeste do Pará. Medida permite mobilizar recursos para prevenção, fiscalização e combate aos incêndios e complementa a emergência por estiagem vigente desde 15/10. Prefeitura também solicitou à Polícia Civil reforço nas investigações sobre possíveis queimadas criminosas e identificação de responsáveis. (Prefeitura de Santarém)

Ministério da Saúde reforçou orientações para identificação e notificação no Sinan de intoxicações por fumaça de queimadas e incêndios florestais. Pasta apontou risco de aumento de problemas respiratórios, cardiovasculares e neurológicos durante período de maior ocorrência de incêndios. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças cardiorrespiratórias, povos indígenas, brigadistas e trabalhadores rurais estão entre os grupos mais vulneráveis. (Ministério da Saúde)

Ministério da Fazenda definiu o cronograma para empresas começarem a medir e reportar emissões no mercado regulado de carbono. Obrigação abrangerá operadores que emitam a partir de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano. Alumínio, cimento, petróleo e gás, mineração, papel e celulose e segmentos das indústrias siderúrgica e química entram na primeira etapa, em 2027; alimentos e bebidas, energia elétrica, refino e outros setores serão incorporados até 2029. Plano Nacional de Alocação, que estabelecerá limites de emissões e distribuição de cotas, está previsto para vigorar a partir de 2030. (Ministério da Fazenda)

Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 estima R$ 142 bilhões em investimentos em biocombustíveis entre 2027 e 2036. Projetos de SAF e diesel verde deverão receber R$ 39 bilhões, biometano R$ 31,1 bilhões e etanol de milho e outros cereais R$ 25,3 bilhões. Oferta de etanol deverá crescer de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros no período, com milho respondendo por 40% do volume em 2036. (MME; EPE)

CVM abriu tomada pública de subsídios para avaliar o regime de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade por companhias abertas no Brasil. Autarquia busca evidências para decidir se a adoção voluntária dos padrões do International Sustainability Standards Board é suficiente ou se parte das divulgações deve voltar a ser obrigatória. Obrigatoriedade geral havia sido retirada em 2026 pela Resolução CVM nº 244. (CVM)



 América Latina

Senado da Argentina aprovou, por 60 votos a dois, projeto que cria marco regulatório nacional para registro e comercialização de créditos de carbono. Proposta cria o Registro Nacional de Redução de Emissões, estabelece critérios de transparência e rastreabilidade e prevê estabilidade fiscal de dez anos para projetos registrados. Texto recebeu aprovação do Senado e seguirá para análise da Câmara dos Deputados. (Senado da Argentina)

Aluar, produtora argentina de alumínio, inaugurou a quinta etapa de seu parque eólico em Puerto Madryn, na Argentina, elevando o investimento acumulado no complexo para US$ 743 milhões. Projeto atingiu 582 MW e 119 aerogeradores, equivalentes a aproximadamente 12% da potência eólica instalada no país. Companhia estima que cerca de 70% da eletricidade utilizada em suas operações passe a ser proveniente de fontes renováveis. (Aluar)

Governo da Bolívia e WWF assinaram acordo para estruturar um Programa de Financiamento para a Permanência voltado à conservação de áreas protegidas. Mecanismo deverá apoiar 24 áreas protegidas nacionais e quatro áreas de Charagua Iyambae, abrangendo 20,2 milhões de hectares, com planejamento de longo prazo para gestão, conservação e sustentabilidade financeira. (Ministério de Produção Sustentável, Meio Ambiente e Água; WWF)

Qualitas Energy, gestora de investimentos em energia, obteve US$ 286 milhões em financiamento verde para uma carteira de 259 MW de geração renovável e 840 MWh de armazenamento em baterias no Chile. Portfólio inclui oito ativos hidrelétricos, solares e eólicos. Projetos solar, eólico e de armazenamento em construção deverão iniciar operação comercial em 2028. (Qualitas Energy)

Fundo Verde para o Clima aprovou projeto de US$ 76,7 milhões para aumentar a segurança hídrica de Bogotá e 33 municípios da Colômbia, dos quais US$ 45,7 milhões serão aportados pelo próprio fundo. Recursos financiarão conservação e restauração de páramos, florestas andinas e áreas úmidas, além da adoção de sistemas produtivos mais resilientes e eficientes no uso da água por propriedades rurais. Projeto deverá beneficiar aproximadamente 10,1 milhões de pessoas. (GCF)

Ministério do Ambiente da Colômbia revogou a Resolução nº 0961/2026, que havia declarado o bioma amazônico reserva definitiva de recursos naturais renováveis. Segundo a pasta, consulta prévia não havia sido concluída com comunidades negras, afro-colombianas, raizales e palenqueras potencialmente afetadas. Ministério informou que outras restrições legais, judiciais e administrativas para proteção da Amazônia permanecem vigentes. (MinAmbiente)

Enka, empresa colombiana de reciclagem, aprovou investimentos superiores a US$ 15 milhões para construir sua terceira planta de reciclagem bottle-to-bottle de PET e instalar geração solar na Colômbia. Nova unidade terá capacidade de 16,5 mil toneladas/ano de resina reciclada para contato com alimentos e aumentará a demanda por garrafas PET pós-consumo. Companhia estima que aproximadamente 200 mil famílias dependam da cadeia de reciclagem no país. (Enka)

Fundo Verde para o Clima aprovou a Transformation Pathways Initiative, programa de US$ 720 milhões para financiar descarbonização industrial e sistemas agroalimentares resilientes ao clima em dez mercados emergentes. GCF aportará US$ 187 milhões e o restante deverá vir de cofinanciamento. Na América Latina, iniciativa abrangerá Equador, México, Peru e República Dominicana, com empréstimos diretos a empresas e projetos e financiamento indireto a pequenas e médias empresas. (GCF)

Fundo Verde para o Clima aprovou US$ 85,3 milhões para o México reinvestir pagamentos por redução de emissões florestais obtidos em 2018 e 2019. Recursos serão aplicados em Chiapas, Guerrero, Jalisco, Michoacán, Oaxaca, Quintana Roo e Yucatán, com foco em conservação florestal, sistemas silvipastoris, pecuária regenerativa, pagamentos por serviços ambientais e cadeias livres de desmatamento. Projeto estima evitar 13,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. (GCF; FAO)

Fundo de Investimento Eco-Forestal II iniciou colocação de US$ 20 milhões em títulos no Paraguai. Veículo administrado pela Cadiem investirá em plantações de eucalipto em Caazapá para produção de madeira, combinadas com sistema silvipastoril. Fundo poderá abranger entre 900 e 4 mil hectares e terá prazo de dez anos. (Bolsa de Valores de Asunción; Cadiem)

UTE, empresa pública de energia do Uruguai, anunciou a implantação de dois parques de armazenamento de energia renovável, em San Gregorio e Sarandí del Yi. Companhia também iniciou desenvolvimento de seus primeiros parques solares e pretende atingir 500 MW de capacidade fotovoltaica instalada no atual quinquênio, além de ampliar a infraestrutura de transmissão de alta tensão. (UTE; Presidencia de Uruguay)



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