Produção verticalizada é necessidade na citricultura de mesa

“O investimento inicial para produção verticalizada na citricultura de mesa é alto, as mudas devem ser certificadas, os tratos culturais minuciosos, e o pomar acaba ficando pelo menos 3 anos sem ver um único fruto no pé.”

Lucas de Albuquerque Lourenço, diretor da Fazenda Arcanjo Miguel

Lucas de Albuquerque Lourenço é citricultor e diretor da Fazenda Arcanjo Miguel, empresa familiar fundada em 1993.

A Fazenda Arcanjo Miguel está localizada no município de São Miguel Arcanjo, sudoeste do estado de São Paulo.


AgriBrasilis – Quanto é a produção e qual o mercado da produção da Fazenda Arcanjo Miguel?

Lucas Lourenço – A Fazenda Arcanjo Miguel possui mais de 1.100 hectares em produção, com uma média de 1.000 caixas peso (40,8kg) por hectare. Nosso foco de mercado é a fruta de mesa, entregando nossas frutas para as maiores redes de supermercado do estado de São Paulo e Paraná.

AgriBrasilis – Desde a fundação da propriedade, quais tecnologias e processos se destacam visando aumentar produtividade e qualidade da produção?

Lucas Lourenço – Somos pioneiros de citros em nossa região, tendo iniciado nosso plantio em 1993. Desde então nos adaptamos às mudanças de manejo e ambientais. Hoje contamos com um time altamente qualificado, trazendo os melhores tratos culturais para nossas arvores. Desde mudas certificadas (que tendem a ter uma melhor produtividade) e podas inteligentes, até nosso sistema de fertirrigação, tudo em harmonia com o meio ambiente.

AgriBrasilis – Que diferenças existem no manejo agrícola entre os diferentes cultivos? 

Lucas Lourenço – Costumo dizer que estamos com nosso maior bem a céu aberto, dependendo sempre do clima. Mesmo estando na melhor região citrícola do país (sul do estado de São Paulo), a citricultura sempre tem seus desafios. São pragas que temos de combater, floradas desreguladas, e os insumos cada vez mais caros. A citricultura como um todo tem seus tratos muito similares, seja laranja, limão ou tangerina, sendo necessárias apenas pequenas adaptações entre as culturas.

AgriBrasilis – Como é realizado o controle do greening? Quais outras pragas e doenças afetam a propriedade?

Lucas Lourenço – Como dito anteriormente, os desafios da citricultura são enormes. O greening vem há tempos assombrando o citricultor, e como muitos não deram ouvidos aos avisos, a coisa ficou séria. Claro que a pulverização menos espaçada ajuda, mas não existe outra receita senão erradicar os pés afetados. Hoje contamos com uma equipe de inspeção de pragas, e uma parte dela destinada ao greening. É preciso estar muito atento aos arredores e às armadilhas de psilideos espalhadas pela fazenda, monitorando sempre a possível entrada da doença na propriedade.

Outras doenças que nos afetam na região é a mosca da fruta e a podridão floral, esta pela alta umidade em nossa região.

AgriBrasilis – Quais as vantagens da verticalização da produção até o transporte?

Lucas Lourenço – O mercado não aceita mais um trabalho sem ser 100% verticalizado. Ou você resolve a necessidade do cliente, ou está fora do páreo. Hoje temos de entender o momento do comprador, qual margem ele deve trabalhar e quais ações podemos fazer para mantê-lo competitivo diante de seus clientes. Portanto não existe vantagem, e sim necessidade.

AgriBrasilis – Quais são os investimentos e tempo necessários para produzir frutos de alta qualidade?

Lucas Lourenço – Produzir citros de mesa hoje no Brasil é para poucos. Preços de mercados que cada vez mais espremem nossa margem, clientes exigentes e um povo com o poder de compra cada vez menor. O investimento inicial é alto, as mudas devem ser certificadas, os tratos culturais minuciosos, e o pomar acaba ficando pelo menos 3 anos sem ver um único fruto no pé. Só a partir do 4° ano em diante que o retorno do investimento começa a ser colhido.

 

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