Overview by AgriBrasilis (30/06/26 – 05/06/26)

Published on: June 4, 2026

Tarifa de 25% proposta pelos EUA deve ter impacto desigual sobre o agro brasileiro


Economia voltou a mostrar sinais de recuperação em 2026, enquanto país enfrenta piora na avaliação internacional sobre direitos trabalhistas. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, a atividade econômica cresceu 5,5% em março ante o mesmo mês de 2025 e acumulou alta de 1,7% no primeiro trimestre. Banco Central informou inflação anual de 32,4% em abril, abaixo dos níveis registrados em 2025. Em paralelo, a Confederação Sindical Internacional incluiu a Argentina entre os dez piores países para trabalhadores em 2026, após rebaixar o país para a categoria 5 do Índice Global dos Direitos. (Indec; BCRA; CSI)

Colheita de soja alcançou 84,6% da área apta, com avanço semanal de 10 pontos percentuais, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Produtividade média nacional chegou a 3,23 t/ha, o segundo melhor registro histórico, e a projeção de produção foi mantida em 50,1 milhões de toneladas. No milho, a colheita atingiu 34,7% da área, com rendimento médio de 8,44 t/ha e produção estimada em 64 milhões de toneladas. A semeadura do trigo 2026/27 chegou a 14,2% da área prevista de 6,5 milhões de hectares. (BCBA)

Banco de la Nación anunciou linhas de financiamento para o setor agropecuário com taxas a partir de 12% ao ano em pesos e 0% em dólares para a compra de máquinas novas. A oferta inclui crédito para máquinas nacionais novas e usadas, caminhões, reboques, capital de giro, pré-financiamento de exportações, etc. (BNA; Agroactiva)

Comitê-executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior aprovou aplicação de direito antidumping definitivo sobre importações brasileiras de leite em pó da Argentina e do Uruguai, mas suspendeu imediatamente a cobrança por interesse público. A decisão também abriu processo específico para avaliar possíveis impactos da medida. Confederação da Agricultura e Pecuária lamentou a suspensão dos efeitos do antidumping e afirmou que a decisão reconhece a prática desleal, mas adia a aplicação das tarifas. Frente Parlamentar da Agropecuária cobrou a aplicação das medidas, alegando prejuízos à cadeia leiteira nacional. (Camex; CNA; FPA)

Segunda safra de milho em 2025/26 deve chegar a 106 milhões de toneladas, com leve ajuste negativo em relação à estimativa anterior. StoneX informou que os ganhos de produtividade no MT e MS compensaram parte das perdas causadas pela seca em GO, onde a produção foi revisada para 10,8 milhões de toneladas, queda de 19,3% ante a projeção de maio. Considerando as três safras, a produção brasileira de milho foi estimada em 136,8 milhões de toneladas. (StoneX)

Previsões indicam aumento da probabilidade de formação do El Niño ao longo de 2026, com possíveis impactos sobre chuva e temperatura no Brasil durante o segundo semestre. Instituto Nacional de Meteorologia informou que a formação do El Niño pode alterar padrões de precipitação e temperatura, com atenção especial para estiagens, calor, temporais e impactos sobre lavouras, pecuária e disponibilidade hídrica. (NOAA; INMET)

Chuvas fortes acompanhadas de granizo atingiram áreas produtoras de café no Sul de MG, em meio ao avanço da colheita da safra 2026. Segundo o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de MG e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, houve danos em lavouras nos municípios de Boa Esperança, Campos Gerais e Campo do Meio, com queda de frutos em ponto de colheita e prejuízos em café já seco nos terreiros. Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança informou que ainda reúne dados junto aos cooperados para dimensionar as perdas. Instituto Nacional de Meteorologia havia emitido alertas de tempestades com possibilidade de granizo para áreas do Sudeste. (FAEMG SENAR; Capebe; INMET)

Tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA deve ter impacto desigual sobre o agro brasileiro. O anexo oficial da investigação da Seção 301 exclui da sobretaxa produtos como carne bovina, café, suco de laranja, fertilizantes e algumas frutas, mas a Federação da Agricultura do RS estima que 36,8% das exportações brasileiras do agro aos EUA podem ser afetadas. No RS, a exposição sobe para 74,9% das vendas externas do agronegócio ao mercado norte-americano, com maior risco para tabaco, madeira, produtos florestais e sebo bovino. (USTR; Farsul; FAEP)

Inadimplência no agro chegou a 8,2% da população rural no quarto trimestre de 2025, alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. O indicador considera dívidas de pessoas físicas do meio rural vencidas há mais de 180 dias e contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio. O avanço reflete margens apertadas, fluxo de caixa pressionado, custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo. A inadimplência ficou concentrada principalmente em dívidas com instituições financeiras, enquanto produtores sem informação de registro rural e grandes proprietários apresentaram os maiores índices. (Serasa Experian)

Proposta de tarifa de 25% dos EUA contra produtos brasileiros trouxe preocupação à indústria de café solúvel, que ficou fora da lista de exceções do Escritório do Representante Comercial dos EUA. Cafés verdes e torrados aparecem entre os itens poupados, mas o café solúvel pode passar a enfrentar tarifa total de até 35% para entrar no mercado norte-americano, considerando a alíquota já existente. A Associação Brasileira de Cafés Especiais afirmou que acompanha o caso e alertou para possíveis impactos sobre a indústria brasileira de café solúvel, representada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, e sobre a cadeia nacional do café. (USTR; BSCA; ABICS)

Confinamento de bovinos no Brasil deve crescer 5,7% em 2026, para 9,78 milhões de cabeças. Em 2025, o volume havia chegado a 9,25 milhões de animais, avanço de 16% sobre o ano anterior. O levantamento de 2026 abrange 2.466 propriedades em 1.103 municípios, com MT mantendo a liderança nacional, estimado em 2,4 milhões de bovinos confinados. A expansão reflete a intensificação da pecuária de corte e a disputa por áreas com a agricultura. (dsm-firmenich)

Be8 planeja colocar no mercado em 2027 seu etanol produzido a partir de trigo, como parte da estratégia de diversificação em energias renováveis. A unidade industrial em construção em Passo Fundo, no RS, produzirá etanol, glúten vital e grãos secos de destilaria com solúveis, com capacidade para processar 525 mil toneladas de cereais por ano e produzir 209 milhões de litros de etanol. A empresa também aposta no BeVant, biocombustível desenvolvido para substituir integralmente o diesel em motores convencionais. (Be8; BNDES)

Ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o governo trabalha para que o Plano Safra 2026/27 alcance R$ 550 bilhões e seja anunciado em 01/07/2026. O valor representaria alta de cerca de 6,5% em relação aos R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial no Plano Safra 2025/26. Segundo o ministro, a prioridade é garantir taxas de juros mais acessíveis ao produtor rural. O MAPA já recebeu propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil para o novo plano, incluindo pedidos de ampliação de recursos, seguro rural, crédito para armazenagem e redução de custos financeiros. (MAPA; CNA)



Produção de abacate Hass atingiu 265 mil toneladas na temporada 2025/26, superando as estimativas iniciais e renovando o melhor resultado em 15 anos. Do total produzido, 160,5 mil toneladas foram destinadas à exportação, equivalente a 61% da colheita. A Europa foi o principal destino, com 99 mil toneladas, seguida por América Latina, Ásia e América do Norte. O mercado interno absorveu cerca de 104,5 mil toneladas. (Paltas de Chile)

Colômbia pode atingir produção recorde de 2 milhões de toneladas de óleo de palma bruto em 2026, segundo a Federação Nacional de Cultivadores de Palma de Óleo. A entidade informou que o setor produziu 1,93 milhão de toneladas em 2025 e registrou expansão de mais de 5% na área plantada, para 641 mil hectares. O setor também busca diversificar exportações, após aumento dos embarques de óleo de palma e derivados em 2025, com oportunidades em mercados como Estados Unidos, África e Ásia. (Fedepalma)

Setor agropecuário representou cerca de 10% do PIB da Colômbia em 2025, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística. Cultivos agrícolas foram o principal componente do setor, seguidos por pecuária, café, pesca, aquicultura e silvicultura. No primeiro trimestre de 2026, porém, o valor agregado de agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pesca recuou 1,4% ante igual período de 2025, em meio à queda da atividade cafeeira e aos efeitos climáticos sobre algumas cadeias produtivas. (DANE)

Colômbia registrou 14,9 milhões de pessoas campesinas no trimestre de 2026, o equivalente a 28,5% da população nacional, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística. Desse total, 6,61 milhões estavam ocupados e 562 mil desocupados. A maior parte dos trabalhadores campesinos ocupados atuava em agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pesca, mas também havia presença relevante no comércio, na indústria, na construção e em atividades artísticas. A Sociedade de Agricultores da Colômbia apontou que a informalidade segue como um dos principais entraves para a produtividade e a renda no campo. (DANE; SAC)



Governo e o setor privado assinaram, em 3 de junho, o Acordo Nacional para o Ordenamento da Produção, Abastecimento, Comercialização e Preço Justo do Tomate, com o objetivo de estabilizar os preços do produto no mercado interno. O instrumento voluntário beneficiará mais de 12 mil produtores, responsáveis por ao menos 3,7 milhões de toneladas cultivadas em mais de 50 mil hectares, com metade destinada à exportação. A secretária de Agricultura, Columba López, atribuiu a alta dos preços a geadas nos EUA, granizo em zonas produtoras mexicanas e ataques de pragas. O acordo prevê ainda uma plataforma digital para conectar oferta e demanda nacional. (Secretaria de Agricultura; Profeco; FIRA; Senasica)

Comissão de Comércio Internacional dos EUA avalia a eliminação da tarifa antidumping de 17,09% sobre o tomate mexicano, com prazo para comentários finais em 25 de junho de 2026. A revisão foi aberta após três empresas contestarem o gravame com base na Lei de Tarifas de 1930. Em audiência de 19 de maio, o especialista Timothy Richards, da Universidade Estadual do Arizona, argumentou que os tomates mexicanos, do tipo cherry e grape, cultivados em estufas, não concorrem diretamente com os de campo aberto produzidos nos EUA. A tarifa, vigente desde julho de 2025, foi baseada em preços de três décadas atrás. (ITC)

Entidades manifestaram preocupação com a regulamentação em discussão na UE que classifica o óleo de soja como biocombustível não sustentável. Representantes da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas, da União de Grêmios da Produção, da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais e da Federação de Cooperativas de Produção se reuniram com o Ministério das Relações Exteriores para avaliar o possível impacto da norma sobre o complexo soja, principal item de exportação do país. As entidades afirmaram que a medida pode gerar incerteza e afetar a previsibilidade do comércio paraguaio. (MRE; Capeco; UGP; CAPPRO; Fecoprod)

Assessor agroclimático da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas, Eduardo Sierra, afirmou que ainda é prematuro confirmar a ocorrência de um “Super El Niño” em 2026/27. Caso o fenômeno se desenvolva, os impactos devem começar a ser sentidos no início da primavera, com risco de seca e calor na região Ocidental do Paraguai e de chuvas excessivas na região Oriental. (Capeco)

 

 

Exportações de batata cresceram 19% em 2025 e ultrapassaram 11 mil toneladas, com acesso a 13 mercados internacionais, segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru. A demanda é liderada por Bolívia, Brasil e Estados Unidos, além de países da Europa. O crescimento é atribuído à adoção de sementes certificadas e ao trabalho do Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru. (Midagri)

Paraguai e Peru iniciaram em 1º de junho a troca de certificados fitossanitários eletrônicos entre os serviços de sanidade vegetal dos dois países, com o objetivo de digitalizar processos e reduzir burocracias. A medida, implementada pelo Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes do Paraguai e pelo Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru, permite a validação digital de documentos, aumenta a segurança das operações e reduz riscos de fraude. (Senave; Senasa)

Peru concluiu o último passo para a entrada em vigor do acordo de livre comércio com a Guatemala ao entregar a nota diplomática que confirma a ratificação do tratado, assinado em 2011 e pendente de implementação há 15 anos. O acordo deve fortalecer o comércio bilateral, dar mais segurança jurídica aos agentes econômicos e ampliar oportunidades de exportação, investimentos e cooperação entre os dois países. (Ministério das Relações Exteriores do Peru)

VerdeAgua, empresa uruguaia de horticultura por hidroponia, pretende investir US$ 4,5 milhões em tecnologia e infraestrutura para duplicar produção de alfaces até 2028. A companhia inaugurou nova estufa tecnológica em Melilla, Montevidéu, com sistema automatizado de origem dinamarquesa, e planeja incorporar novos robôs de produção ainda em 2026. Segundo a empresa, a nova estrutura pode adicionar 2 milhões de alfaces por ano à capacidade instalada. (VerdeAgua)

Uruguai entregou quase 11,5 milhões de doses de vacinas contra a febre aftosa nos primeiros 15 dias da campanha nacional, o equivalente a aproximadamente 89% do total previsto. Segundo o Ministério da Agricultura, a campanha abrange todos os bovinos com mais de dois meses de idade, em uma população estimada de 13,4 milhões de animais. A pasta também implementou um sistema eletrônico para registrar a entrega das doses em tempo real e reforçou o uso da planilha sanitária para rastrear tratamentos veterinários e garantir a inocuidade da carne uruguaia. (MGAP)



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