“O preconceito, tanto de homens quanto de outras mulheres, ainda é um obstáculo…”
Embaixadoras do 10° Congresso Nacional de Mulheres do Agronegócio: Carolina Brazil, jornalista e apresentadora de jornal diário; Vanessa Leonardi, produtora de morangos e CEO da Fazenda Zanatto, em Nova Petrópolis (RS); Carina Ayres, secretária de Agricultura e Pecuária de São José do Rio Preto; Rafaela de Nápole, engenheira agrônoma, especialista em agricultura de precisão e gestão comercial; e Carminha Gatto Missio, agricultora eleita pela Forbes Brasil uma das 100 mulheres mais influentes do agro.
AgriBrasilis – O que a atraiu para o agro?
Vanessa – Fui cativada pelo agro ao perceber a força e o espírito de união das mulheres que atuam nesse setor. A coragem e a resiliência delas me inspiraram a fazer parte desse universo.
Carminha – O agro me escolheu. Eu apenas segui um caminho que era inevitável, sendo eu neta, filha, sobrinha, irmã e esposa de agricultores. Eu nasci no campo e em uma família que lidava com ele, não existe, portanto, força maior de atração.
Carina – O amor que tenho pelo agro vem desde a infância. Aqui onde moro e trabalho hoje, meu umbigo está enterrado — literalmente. Na nossa família, havia uma tradição de enterrar o umbigo das crianças no curral, acreditando que isso faria com que amassem a terra e o gado.
Rafaela – A minha relação com o agro é algo muito profundo, minha família tem relação direta. Com esses exemplos tão fortes, foi natural que eu também me tornasse parte dessa área tão importante para o Brasil e o mundo!
Carolina – A escolha de fazer a diferença na vida das pessoas, unindo minha experiência em comunicação com minha conexão familiar com o setor.
AgriBrasilis – O agro ainda resiste às lideranças femininas?
Carolina – Não é o Agro que resiste, e sim alguns nichos. O Agro é aberto às oportunidades; o que define é a capacidade técnica, de oportunidade e conhecimento no setor. Já somos 50% das lideranças no Agro, dentro e fora da porteira.
Rafaela – Sou formada há 15 anos, e com certeza hoje as lideranças femininas representam papéis importantes à frente das fazendas, multinacionais, como gestoras, presidentes, proprietárias. Ainda assim, há aqueles que questionam nossa capacidade. Mas batalhamos diariamente para mudar essa realidade e mostrar nossa força!
Carina – Ainda enfrentamos muitas dificuldades para que as mulheres ocupem posições de liderança no agro. Seja em fazendas, usinas, cooperativas ou órgãos públicos voltados ao setor, a presença feminina ainda é pequena. Até mesmo em empresas familiares, é raro ver uma mulher à frente da gestão. Nas grandes empresas, os cargos de liderança também são majoritariamente ocupados por homens.
” Precisamos provar nossa competência duas vezes…”
AgriBrasilis – Quais são os maiores desafios para as mulheres?
Carina – Ter coragem para se posicionar. Muitas vezes, a mulher é colocada em segundo plano na gestão da propriedade familiar. Precisamos romper essa lógica e afirmar que queremos ser sucessoras, não apenas herdeiras. Também somos cobradas muito mais do que os homens, por isso, é essencial buscar qualificação e apoiar outras mulheres.
Carminha – Assumir o protagonismo da própria história é essencial, seja no campo ou na cidade. Muitas vezes, mulheres com histórias inspiradoras são vistas como coadjuvantes, atrás de figuras masculinas. Defendo a qualificação como chave para se tornar referência na atividade escolhida. Embora o acesso à qualificação seja um desafio, precisamos superar dificuldades para deixar nossa marca registrada.
Rafaela – Precisamos provar nossa competência duas vezes: como profissionais e como mulheres ocupando cargos de liderança.
Vanessa – O preconceito, tanto de homens quanto de outras mulheres, ainda é um obstáculo. Para se destacar, é preciso resiliência e determinação, provando constantemente competência e capacidade.
AgriBrasilis – Como você promove o agro?
Carolina – Dou voz às ações do setor, participo de projetos de empreendedorismo e divulgo o agro em cada oportunidade.
Vanessa – Acredito que comunicar o agro para quem não faz parte dele é essencial para quebrar estereótipos e combater a visão negativa que muitas vezes se tem do setor. Para isso, uso minhas redes sociais para divulgar conteúdos sobre o agro, a atuação feminina e eventos voltados às mulheres do setor. Também participo e apoio congressos e iniciativas que fortalecem essa representatividade.
Carminha – Defendendo o setor e trabalhando para o seu fortalecimento, tanto no meu negócio quanto nas entidades de classe. Não basta ser agricultora da porteira pra dentro, precisamos participar das políticas públicas e institucionais, levar as nossas demandas, nos fazer ouvir e também ter voz para defender o segmento que movimenta a economia do país e que garante a segurança alimentar do mundo. Eu participo ativamente das discussões em minha comunidade, faço parte de associações, sindicatos, sou vice-presidente da Federação da Agricultura da Bahia e presido o Instituto Agropecuário.
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