“A soja e o trigo HB4 já foram aprovados em diversos países para consumo…”
Raquel Chan é pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina – Conicet, professora da Universidade Nacional do Litoral e diretora do Instituto de Agrobiotecnologia do Litoral. Especialista em biotecnologia vegetal e tolerância das culturas a estresses ambientais, é co-inventora da tecnologia HB4.
AgriBrasilis – O que é a tecnologia HB4?
Raquel Chan – HB4 é o nome comercial da tecnologia desenvolvida para soja e trigo que consiste na introdução do gene HaHB4, proveniente do girassol. Esse gene confere às plantas maior tolerância ao estresse provocado por déficit hídrico, salinidade e altas temperaturas.
Isso resulta em menores perdas de produtividade, em comparação com plantas sem o gene, após períodos de seca, em solos salinos ou em safras marcadas por picos de temperatura.
A olho nu, as plantas HB4 não podem ser diferenciadas de suas equivalentes sem o gene do girassol. É possível que características sutis sejam identificadas por meio de imagens espectrais e inteligência artificial.
A fisiologia geral da planta não se altera quando as condições de crescimento não são estressantes. Em condições adversas, porém, as plantas HB4 apresentam aspecto mais verde e saudável.
A soja e o trigo HB4 já foram aprovados em diversos países para consumo e, em alguns casos, também para cultivo. A aceitação não foi imediata, mas vem avançando gradualmente.
AgriBrasilis – Quais foram as etapas e os custos envolvidos no desenvolvimento da tecnologia?
Raquel Chan – O projeto começou com uma pesquisa básica destinada a compreender por que o girassol é mais tolerante do que outras espécies vegetais ao estresse causado pela seca. O laboratório público desenvolveu a tecnologia na planta-modelo Arabidopsis thaliana, enquanto a aplicação em cultivos agrícolas foi conduzida pela empresa Bioceres.
É muito difícil calcular o custo total do desenvolvimento. Segundo estimativas, o investimento realizado pela empresa foi de aproximadamente US$ 25 milhões.
Não consigo estimar os custos do laboratório público, pois o trabalho envolveu anos de formação e pesquisa, salários, bolsas e o financiamento de projetos que não eram dedicados exclusivamente a essa tecnologia.
AgriBrasilis – Que outras pesquisas sobre adaptação climática estão sendo realizadas atualmente?
Raquel Chan – Muitas. Estudamos continuamente esse tema inesgotável e de grande importância para a segurança alimentar. Temos novos desenvolvimentos e patentes, mas ainda faltam etapas fundamentais para que essas tecnologias possam chegar ao mercado.
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