Todo mundo sai ganhando com o avanço da agricultura regenerativa no Brasil

Published on: December 2, 2025

“Uma de nossas prioridades é apoiar produtores rurais na adoção de práticas que restauram a saúde do solo, aumentam a biodiversidade e otimizam o uso dos recursos naturais…”

Leticia Kawanami é diretora de sustentabilidade da Cargill na América Latina, formada em economia pela Universidade de São Paulo, com MBA pela HEC Paris e mestrado pela London School of Economics and Political Science (LSE).

Leticia Kawanami, diretora de sustentabilidade


AgriBrasilis – Por que cada vez mais se fala sobre agricultura regenerativa?

Leticia Kawanami – A agricultura regenerativa é uma prioridade para a Cargill porque representa o caminho para um modelo de produção mais sustentável, resiliente e economicamente viável. Uma de nossas prioridades é apoiar produtores rurais na adoção de práticas que restauram a saúde do solo, aumentam a biodiversidade e otimizam o uso dos recursos naturais, contribuindo diretamente para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Ela se tornou uma peça fundamental e mostra como o produtor rural tem se engajado nas melhores práticas. Para promovê-la, a Cargill tem apostado em programas próprios como o ReSolu e vem apoiando iniciativas do setor, como o Regenera Cerrado. Todo mundo sai ganhando com o avanço da agricultura regenerativa pelo Brasil.

AgriBrasilis – Como as plantas de cobertura contribuem para o sequestro de carbono?

Leticia Kawanami – As plantas de cobertura contribuem para o sequestro de carbono principalmente por meio do processo da fotossíntese, no qual capturam o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e o incorporam em sua biomassa, tanto na parte aérea quanto nas raízes. Quando essas plantas morrem e se decompõem, a matéria orgânica formada é depositada no solo, aumentando o estoque de carbono nele e melhorando seus atributos físicos, químicos e biológicos. Além disso, as plantas de cobertura ajudam a proteger o solo da erosão, mantêm a umidade e criam condições favoráveis para a atividade microbiana, proporcionando a retenção do carbono no solo por mais tempo.

AgriBrasilis – De acordo com a Cargill, sistemas regenerativos podem produzir até 23% mais que os convencionais. Por quê?

Leticia Kawanami – Essa diferença é um dado obtido quando comparamos a produtividade registrada em fazendas de soja da região de Rio Verde (GO), acompanhadas pelo programa Regenera Cerrado, com a média estadual contabilizada na safra 2023/2024. Nessas propriedades, os talhões que fazem uso da agricultura regenerativa alcançaram média de 69 sacas por hectare, enquanto a média em Goiás, em um período marcado por forte estiagem, foi de 56 sacas por hectare. Essa comparação reforça o papel desse modelo no aumento da resiliência climática dos sistemas produtivos, e considera análises conduzidas por um time de 35 pesquisadores acadêmicos – um trabalho que durou três anos e envolveu instituições de pesquisa nacionais, como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e diversas universidades federais.