Robôs autônomos noturnos: monitoramento e controle de pragas

“O robô captura imagens do cultivo agrícola através de câmeras e sensores multiespectrais e, a partir daí, tem condições de identificar pragas, doenças, qualidade do cultivo…”

Emerson Marcelo Crepaldi é COO Brasil e América do Sul da Solinftec, formado em administração de empresas pela Anhanguera Educacional, com mestrado e MBA pela FGV.

Emerson Crepaldi, COO Brasil e América do Sul da Solinftec


AgriBrasilis – O que faz a Soliftec? Para que culturas suas soluções são direcionadas?

Emerson Crepaldi –  Nosso objetivo é elevar a eficiência e sustentabilidade das operações agrícolas. A empresa se consolidou por trabalhar com sugestões em tempo real, facilitando o gerenciamento de dados e informações, e simplificando a tomada de decisão dos produtores. Desenvolvemos soluções para os segmentos sucroenergético, grãos, fibra, cultivos perenes e florestal.

As soluções disponibilizadas ao mercado agrícola são parte da inteligência artificial ALICE AI, que monitora 12 milhões de hectares. Em 2022, a plataforma robótica Solix Ag Robotics passou a integrar nosso portfólio, voltada para produção de alimentos em larga escala.

AgriBrasilis – Qual o faturamento da Solinftec? Quando a empresa deve alcançar o breakeven de suas operações? 

Emerson Crepaldi –  Nós possuímos uma boa base de clientes com contratos recorrentes. Dessa forma, a empresa ajustou o ritmo de expansão e gerou eficiência. No início de 2023, nosso faturamento em receita recorrente cresceu mais de 20% ante 2022 e atingimos o breakeven com R$ 300 milhões em receita recorrente (ARR).

Nos últimos anos, crescemos 60% contando com a operação Brasil, América do Sul, EUA e Canadá. Entre os nossos principais investidores estão Unbox Capital, AgFunder, The Lightsmith Group, TPG e Blue Like an Orange.

AgriBrasilis – Como é realizado o monitoramento nas lavouras de cana e que dados são gerados? Qual é a finalidade dessas informações?

Emerson Crepaldi –  O segmento sucroenergético não para. Esse mercado tem grande necessidade de se reinventar, ano após ano. Por isso, nossa missão é melhorar a eficiência do setor.

Nossa tecnologia funciona integrando monitoramento, produtividade, rastreabilidade e logística, buscando garantir a máxima rentabilidade da safra. Temos 95% de marketshare. Conquistamos essa presença por meio de soluções focadas no CCT (Corte, Carregamento e Transbordo).

Em 2023, estamos apostando no Programa Cana+, focado no aumento da produtividade nos canaviais, que está estagnada há alguns anos. Buscamos esse aumento de produtividade através de soluções como:

  • diagnóstico do canavial por meio da análise da variabilidade espacial e temporal;
  • avaliação do microclima, que correlaciona a parte operacional com o momento das aplicações de insumos, buscando a qualidade da operação;
  • fertirrigação, desde a logística até a aplicação, controle e qualidade da aspersão, evitando a sobreposição;
  • comunicação Máquina – Máquina (M2M), que otimiza insumos para controlar o tráfego da aplicação;
  • redução e controle do tráfego na colheita da cana, evitando a compactação do solo resultante da sobreposição de passagens das máquinas em determinadas áreas;
  • a plataforma robótica Solix AG Robotics, que realiza um monitoramento constante, detectando problemas como plantas daninhas, insetos e outros desafios dos canaviais.

AgriBrasilis – Como funciona o Hunter, robô autônomo da Solinftec, utilizado para combate de pragas? 

Emerson Crepaldi –  O Hunter é um robô de atuação noturna, que atrai insetos através de comprimentos de ondas de luz específicos e os elimina com eletrochoques. Esse robô percorre as lavouras durante a noite, com o objetivo de combater as pragas antes que elas alcancem a etapa de oviposição, sem oferecer risco aos polinizadores, que são insetos de comportamento diurno.

O Hunter consegue controlar as pragas de maior interesse econômico para o agronegócio, como os Lepidópteros (mariposas); Coleópteros (besouros, como o bicudo); Ortópteros (gafanhotos e paquinhas); Hemípteros (mosca-branca e cigarrinha-do-milho) e Dípteros (moscas e pernilongos).

O Hunter é autônomo e conta com placas solares para gerar a energia necessária para suas missões noturnas. Para isso, a plataforma utiliza dois métodos de condução: um GPS de alta precisão (RTK), que o permite seguir linhas previamente programadas, além de câmeras e visão computacional, que identificam a localização das plantas e direcionam o robô para andar sem pisotear as linhas de plantio.

Essa condução é direcionada pela ALICE AI, que identifica o trajeto mais eficiente e o momento ideal de atuação, fazendo com que o robô percorra apenas onde é necessário. Mais modelos integram a plataforma robótica que, por meio da associação de tarefas junto ao manejo integrado de pragas (MIP) nas lavouras, promovem o uso racional de agroquímicos.

A plataforma robótica permite o monitoramento de cada planta, o que favorece a descoberta de pragas ainda em estágio inicial e o controle mais rápido, com menor utilização de defensivos. O robô captura imagens do cultivo agrícola através de câmeras e sensores multiespectrais e, a partir daí, tem condições de identificar pragas, doenças, qualidade do cultivo, analisar altura, nutrição e saúde das plantas.

 

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