“Chuvas atípicas reduziram a moagem do Centro-Sul em 28,4% na segunda quinzena de junho…”
Sandro Roberto Brancalião é pesquisador científico no Instituto Agronômico (IAC) – divisão de cana, em Ribeirão Preto, SP. Brancalião é engenheiro agrônomo, com mestrado e doutorado em agricultura pela Unesp.
André Luiz de Souza Lacerda é consultor na Empresa Agrolacerda, engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras, com mestrado em agronomia pela Unesp, doutorado em fitotecnia pela USP, pós-doutorado em fitotecnia pelo IB/SP e química pela Unicamp.
Denizart Bolonhezi é pesquisador científico no Instituto Agronômico (IAC) – divisão de cana, em Ribeirão Preto, SP. Bolonhezi é engenheiro agrônomo, com mestrado e doutorado em agronomia pela Unesp.
Historicamente a cana-de-açúcar é um dos principais produtos agrícolas do Brasil, sendo cultivada desde a época da colonização. Do seu processo de industrialização obtém-se como produtos o açúcar e o álcool (anidro e hidratado). O cenário para a cana e o setor sucroenergético em 2026 envolve os seguintes destaques:
Estimativa de Produção – O aumento no volume é impulsionado pelo ganho de produtividade e expansão da área de colheita. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deverá alcançar 709,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, crescimento de 5,3% e o segundo maior volume da série histórica. A área destinada à colheita está estimada em 9,1 milhões de hectares, a maior já registrada pela Companhia.
Alerta Climático e Queda da Moagem – Chuvas atípicas reduziram a moagem do Centro-Sul em 28,4% na segunda quinzena de junho, para 31,15 milhões de toneladas. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) aponta 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
Desafios de Preço – O Valor Bruto da Produção (VBP) sofre com preços no mercado que seguem pressionados. A estimativa para o Consecana-SP gira entre R$ 1,00 e R$ 1,05 por quilo de ATR.
E32 no Centro das Decisões – O CNPE aprovou a elevação temporária da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%. A UNICA estima demanda adicional de aproximadamente 1 bilhão de litros anuais, mas o Ministério Público Federal pediu à Justiça a suspensão da medida.
Pressão das Tarifas dos Estados Unidos – Desde 22 de julho, açúcar e etanol brasileiros estão sujeitos à tarifa adicional de 25% nos Estados Unidos. A Medida Provisória nº 1.374/2026 autorizou subvenção de R$ 12 por tonelada aos produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste afetados pelas tarifas ou por eventos climáticos extremos.
Participação Ativa – A Confereração Nacional da Agricultura (CNA) tem debatido ativamente o cenário e as políticas do setor. A entidade participou da abertura do Cana Summit 2026 em Ribeirão Preto (SP) para defender os interesses dos canavicultores.
Novo Zoneamento – O Ministério da Agricultura e a Embrapa debateram com a comissão da CNA o novo Zarc (Zoneamento de Risco Climático) da cana-de-açúcar, trazendo novas diretrizes municipais e metodologias de avaliação de risco.
Apoio ao Produtor – Por meio do projeto Campo Futuro, a CNA continuou a realizar levantamentos precisos de custos operacionais para garantir a rentabilidade dos produtores na região.
Os próximos meses, portanto, serão decisivos. A evolução do El Niño, o resultado da disputa judicial envolvendo o E32 e os efeitos das tarifas norte-americanas determinarão se o crescimento esperado da produção será convertido em renda para os produtores ou acompanhado por maior pressão sobre as margens. Mesmo asim, as perspectivas para o setor são animadoras, onde a crescente preocupação da população mundial em relação ao meio ambiente, vem exercendo uma pressão para a diminuição da utilização dos combustíveis fósseis, responsáveis pela maioria dos gases poluentes a atmosfera.

Sandro Brancalião, pesquisador no IAC

André Lacerda, consultor na Agrolacerda

Denizart Bolonhezi, pesquisador no IAC
