Destaque Ambiental Brasil & América Latina (07/06/26 - 13/06/26)

Published on: June 12, 2026

Entidades pressionam CVM a rever flexibilização dos relatórios de sustentabilidade


Brasil

Radar Verde Cerrado 2026 apontou baixo desempenho socioambiental de frigoríficos que compram gado no Cerrado. O levantamento avaliou 262 plantas frigoríficas e nenhuma alcançou níveis intermediário, alto ou muito alto de controle contra desmatamento. Entre as empresas mais bem avaliadas aparecem Marfrig, Masterboi, Minerva e JBS, mas o relatório indica que a cadeia da carne no Cerrado ainda precisa avançar em rastreabilidade, transparência e monitoramento de fornecedores. (Imazon; Radar Verde)

Moratória da Soja entrou na disputa comercial entre Brasil e EUA. Em proposta no âmbito da Seção 301, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA citou medidas do estado de Mato Grosso que buscam retirar benefícios fiscais de empresas signatárias de acordos voluntários contra o desmatamento, como a Moratória da Soja. Segundo o documento, a saída de grandes multinacionais do pacto pode reduzir incentivos privados para conter o desmatamento ligado à soja. (USTR)

SLC Agrícola afirma que sua produção é 100% livre de desmatamento em áreas próprias, adquiridas, arrendadas e em joint ventures. A companhia também vem ampliando o uso de ferramentas de monitoramento ambiental e mensuração de emissões, após registrar receita líquida recorde de R$ 8,6 bilhões em 2025. (SLC Agrícola)

Governo de MG vai investir cerca de R$ 442 milhões no Plano Estadual de Enfrentamento aos Incêndios Florestais 2026-2031, lançado para reforçar a prevenção e o combate ao fogo no período seco. Os recursos serão destinados à contratação de brigadistas, locação de veículos e aeronaves, aquisição de equipamentos, tecnologias especializadas, comunicação operacional e ampliação das estruturas de monitoramento. A iniciativa busca proteger áreas rurais, unidades de conservação, florestas plantadas, lavouras e rebanhos diante do maior risco de estiagem e queimadas. (Governo de Minas Gerais)

Yara Brasil, JDE Peet’s e Ofi iniciaram a primeira colheita de café conilon de menor pegada de carbono no Brasil, em fazendas no sul da Bahia e no Espírito Santo. O projeto envolve mais de 20 propriedades e combina fertilizantes de menor emissão, assistência técnica, capacitação e monitoramento produtivo. Segundo a Yara, o pacote pode reduzir em cerca de 40% a pegada de carbono do café verde em relação a sistemas com fertilizantes convencionais. (Yara Brasil; JDE Peet’s; Ofi)

Banco do Nordeste destinou R$ 2,3 bilhões, entre janeiro e abril de 2026, a projetos de produção industrial sustentável enquadrados na Nova Indústria Brasil. Do total, R$ 704,7 milhões foram direcionados a cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, enquanto R$ 270,8 milhões apoiaram iniciativas de descarbonização, transição energética e bioeconomia. (BNB)

BNDES lançou seleção pública para contratar estudo técnico sobre certificação de créditos de carbono no Brasil. Objetivo é mapear gargalos, avaliar lacunas metodológicas, modelos de governança e formas de reduzir custos de certificação, com foco em projetos de menor escala, comunidades locais, povos indígenas, cooperativas, assentamentos rurais e pequenos produtores. (BNDES; MMA; Ministério da Fazenda)

Projeto Pró-Manguezais, coordenado pelo MPF e pelo MP de Alagoas, recebeu o Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente e Sustentabilidade 2026 na categoria Melhor Exemplo em Biodiversidade. A iniciativa foi reconhecida por suas ações de preservação e recuperação de manguezais, consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade, captura de carbono e adaptação às mudanças climáticas. (MPF)

Neoenergia Elektro promove em Araras, SP, ações de educação ambiental e eficiência energética por meio de sua Unidade Móvel Educativa. A iniciativa permite que estudantes conheçam o processo de geração e distribuição de energia e participem do programa Vale Luz, que troca resíduos recicláveis por descontos na conta de energia. (Neoenergia Elektro)

Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou, em primeiro turno, projeto que permite converter multas ambientais em serviços de preservação ambiental ou aportes a fundos voltados à conservação, com desconto de até 50% no valor da penalidade. A proposta busca aumentar a efetividade da recuperação ambiental e reduzir a inadimplência das multas, seguindo agora para votação em turno suplementar. (Agência Senado)

MS registrou menor área de desmatamento sem licença ambiental do Brasil nos últimos sete anos. Dados indicam que 75,2% da vegetação nativa suprimida entre 2019 e 2025 teve autorização ambiental, refletindo o avanço das ações de controle e combate ao desmatamento ilegal no estado. (Semadesc/MS; MapBiomas)

Embrapa e Grupo Carrefour Brasil firmaram acordo de cooperação técnica para capacitar produtores rurais e fornecedores em temas como boas práticas agrícolas, tecnologia pós-colheita, segurança dos alimentos, rastreabilidade, responsabilidade socioambiental, redução de perdas e sustentabilidade. A iniciativa conecta a plataforma e-Campo, da Embrapa, à Jornada da Autonomia, do Grupo Carrefour Brasil, buscando ampliar a qualificação da cadeia de frutas, legumes e verduras. (Embrapa; Grupo Carrefour Brasil)

Conselho Federal de Contabilidade, Ibracon, Apimec e IBGC pressionam a Comissão de Valores Mobiliários a rever a decisão que tornou facultativa a divulgação de relatórios de sustentabilidade por companhias abertas. As organizações afirmam que a flexibilização pode reduzir a comparabilidade das informações corporativas, prejudicar investidores e afastar o Brasil dos padrões internacionais de reporte ESG. (Conselho Federal de Contabilidade; Ibracon; Apimec; IBGC)

Governo do AM decretou estado de emergência climática e ambiental em todo o estado por 180 dias, diante das previsões de redução de chuvas, calor intenso e seca extrema associadas ao fenômeno El Niño entre 2026 e 2027. A medida mobiliza órgãos estaduais para ações de prevenção, combate a queimadas, monitoramento dos rios e mitigação dos impactos socioeconômicos e ambientais. (Governo do Amazonas)

Governo do TO lançou a plataforma Consulta CAR, ferramenta que reúne informações ambientais de imóveis rurais cadastrados no Cadastro Ambiental Rural. O sistema busca ampliar a transparência, agilizar análises de regularidade ambiental e oferecer mais segurança jurídica para produtores rurais, instituições financeiras e compradores do agronegócio. (Governo do Tocantins)

Justiça de SP condenou a companhia aérea Gol a pagar R$ 5 milhões por danos morais coletivos após considerar enganosas campanhas que promoviam programas de compensação de carbono e neutralização de emissões. A decisão determina a suspensão das iniciativas até que a empresa comprove, por documentação auditável, a efetividade ambiental e a rastreabilidade dos créditos de carbono utilizados. (Tribunal de Justiça de SP)

Companhia Energética de MG  lançou o programa Agro Solar 24h, que prevê até R$ 50 milhões em investimentos para apoiar a instalação de sistemas de energia solar com baterias de armazenamento em propriedades rurais de MG. A iniciativa oferecerá subsídios de pelo menos 60% para aquisição dos equipamentos, buscando ampliar a autonomia energética, reduzir custos operacionais e aumentar a sustentabilidade no campo. (Cemig)

Desastres climáticos no Brasil são agravados por falhas estruturais de governança, como baixa cultura de prevenção, falta de coordenação entre governos, dados desatualizados e comunicação ineficiente com a população. Pesquisa, baseada nas enchentes do RS em 2024, defende que a gestão de riscos climáticos seja tratada como política pública permanente, com maior integração entre órgãos e investimentos em prevenção. (FGV Direito SP)

Mudanças climáticas, escassez de mão de obra qualificada e riscos geopolíticos estão entre os principais desafios para o agronegócio brasileiro em 2026. Segundo pesquisa, 79% dos entrevistados classificam os impactos climáticos como altos ou muito altos, enquanto pressões por inovação, ESG, logística, crédito e adaptação regulatória ampliam a necessidade de gestão de riscos no setor. (EY)

Governo de MT assinou Termo de Compromisso Ambiental para zerar, a partir de 2034, o uso de lenha de vegetação nativa em caldeiras de agroindústrias, como usinas de etanol de milho. A medida prevê redução gradual do consumo, expansão de florestas plantadas e maior controle da origem da biomassa usada para geração de energia. (Governo do MT)



América Latina

Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária está medindo pegada de carbono de cultivos de erva-mate e mandioca na província de Misiones, na Argentina, como parte de projeto que reúne 328 produtores familiares e 17 cooperativas. Resultados preliminares apontam potencial para reduzir emissões por meio de melhorias no manejo do solo, fertilização e integração de árvores aos sistemas produtivos, além de ampliar oportunidades em mercados que valorizam ESG. (INTA)

Projeto Papa Huella Cero, liderado pelo Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Chile e financiado pela Fundação para a Inovação Agrária, busca tornar a produção de batata na região chilena de La Araucanía mais sustentável. A iniciativa prevê a implementação de 200 planos de manejo agroecológico, redução do uso de agroquímicos e adoção de ferramentas digitais para apoiar produtores. O programa também medirá o impacto ambiental dos defensivos agrícolas e promoverá práticas que aumentem a resiliência da atividade às mudanças climáticas. (INIA Carillanca; FIA)

Grupo Bimbo, do México, superou 500 mil hectares cultivados sob práticas de agricultura regenerativa em 2025, avanço de 73% em relação ao ano anterior. A iniciativa busca melhorar a saúde do solo, promover biodiversidade e fortalecer resiliência da cadeia de suprimentos agrícola, com expansão de programas no Brasil e no Reino Unido. (Grupo Bimbo)

Ministério do Meio Ambiente do Peru identificou sete espécies de feijão nativas no país, incluindo uma espécie endêmica e três parentes silvestres com potencial para o desenvolvimento de variedades mais resistentes à seca, pragas e doenças. (Minam)



 

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