Proteção e nutrição de plantas – Update Semanal Brasil & América Latina (30/04/26 – 06/05/26)

Published on: May 5, 2026

Brasil poderá liderar produção mundial de fertilizantes sustentáveis até 2030

Brasil

Nota complementar aos Avisos CGAA nº 2 a 7 de 2025, relacionados a glufosinato de amônio, atrazina, clorfenapir, acefato, metomil e epoxiconazol, cujos prazos foram prorrogados pelo Aviso nº 8 de 2026, estabelece a obrigatoriedade de envio prévio dos dados das amostras e dos padrões analíticos diretamente ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo, antes do envio físico. As amostras deverão estar rotuladas com informações compatíveis com a planilha enviada e acompanhadas de Declaração de Envio de Amostras. (DOU, Aviso nº 9 – publicado em 05/05/2026, MAPA)

Sell Agro, fabricante nacional de adjuvantes agrícolas, projeta faturamento de R$ 90 milhões em 2026, alta de 15% ante 2025, e prepara o início de operações no Paraguai. Fundada em Rondonópolis, MT, a empresa possui duas fábricas, 15 centros de distribuição, e acaba de lançar adjuvante biodegradável à base de terpenos de laranja. (Sell Agro)

Anvisa aprovou, mediante ações judiciais, avaliações toxicológicas de fluazinam (AGROBEATS); e clorfenapir 240 + metoxifenozida 80 g/L SC (HELM). (DOU, Res. 1767, 1768 – publicados em 04/05/26, Anvisa)

Brasil poderá liderar produção mundial de fertilizantes sustentáveis até 2030, segundo o assessor José Carlos Polidoro, do MAPA. A categoria inclui micronutrientes, organominerais, orgânicos, biofertilizantes e solúveis. Segundo ele, o potencial brasileiro está ligado ao tamanho do mercado, ao conhecimento técnico do setor e à disponibilidade de matérias-primas. (MAPA)

Petrobras iniciou produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A., subsidiária localizada em Araucária, PR, após retomada das operações da unidade, que estava hibernada desde 2020. A fábrica recebeu investimentos de cerca de R$ 870 milhões e tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, equivalente a aproximadamente 8% do mercado nacional. Com a unidade de Araucária e as unidades da Bahia e de Sergipe em operação, a Petrobras estima que irá atingir aproximadamente 20% de participação no mercado brasileiro de ureia. (Petrobras)

Yara registrou lucro líquido de US$ 327 milhões no primeiro trimestre de 2026, acima dos US$ 295 milhões do mesmo período de 2025, com receita de US$ 4,26 bilhões e Ebitda de US$ 908 milhões. Apesar do resultado positivo, a companhia alertou que conflitos geopolíticos seguem pressionando gás natural, ureia e outros insumos. Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, afirmou que o mercado global de fertilizantes levaria pelo menos um ano para recuperar a capacidade produtiva mesmo se as guerras no Oriente Médio e no leste europeu terminassem agora. (Yara Fertilizantes)

Adama anunciou João Aleixo como novo vice-presidente executivo para o Brasil. O executivo assume a liderança da operação no país com foco em crescimento, fortalecimento da presença local e avanço da agenda de inovação para proteção de cultivos. (Adama)

Programa Monitora Ferrugem RS encerrou o monitoramento da ferrugem-asiática da soja na safra 2025/26, após acompanhar a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi em 95 municípios do RS durante 23 semanas. Segundo a Secretaria da Agricultura, a menor disponibilidade de água e a sequência de dias sem chuva em janeiro e fevereiro ajudaram a conter focos da doença. O vazio sanitário da soja no RS começa em 3 de julho e termina em 30 de setembro. (Seapi)

Brasil mantém forte dependência externa de fertilizantes, com 88% dos adubos utilizados sendo importados em 2025, totalizando 45,5 milhões de toneladas. Cerca de 45% desse volume veio de países com instabilidade geopolítica, como Rússia, Bielorrússia e Irã, o que amplia a exposição do país a choques de oferta e alta de preços. O recente conflito no Oriente Médio já impactou o mercado, com a ureia subindo 67% até abril. A dependência é mais crítica em potássio (96%) e nitrogênio (95%), enquanto o fósforo apresenta menor vulnerabilidade (72%). (Cogo Inteligência em Agronegócios)

Família Batista, controladora do grupo J&F Investimentos, negocia crédito com o BNDES para ampliar a produção de potássio em Sergipe. A mina, hoje controlada pela Stratos, produz cerca de 400 mil toneladas/ano e tem capacidade técnica para alcançar 2 milhões de toneladas. (J&F Investimentos)

Importações de fertilizantes do MS caíram 69,63% em janeiro de 2026, totalizando 3,5 mil toneladas, com forte retração nos nitrogenados e ausência de compras de potássio e fosfato no período. A queda reflete maior cautela dos produtores diante do aumento de custos, pressionados principalmente pela valorização do dólar e pela piora na relação de troca com a soja, elevando o risco para a safra 2026. (Aprosoja-MS)

Universidade Federal de Viçosa inaugurou o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas, também chamado Hub Fosfatados-MG. A unidade será voltada à pesquisa, inovação e conexão entre universidade, governo e setor privado para desenvolver fertilizantes fosfatados a partir de matérias-primas nacionais. O projeto integra o Plano Nacional de Fertilizantes, que busca reduzir a dependência brasileira de importações. (Universidade Federal de Viçosa)

Pesquisadores da Unesp propuseram nova abordagem para desenvolvimento de nanoherbicidas, baseada nas características específicas das plantas daninhas. O conceito, denominado plant- plant-informed nanodesign (nanodesign orientado pela planta, PIND), prioriza fatores como estrutura foliar e vias de absorção para aumentar a eficiência dos produtos. A estratégia pode reduzir perdas de produtividade, que chegam a até 90% em infestações severas, e diminuir o uso de insumos, com menor impacto ambiental. (Unesp)

Grupo Piccin lançou e-book “Saúde do Solo Agrícola e Florestal – Fontes de Fósforo e Tipos de Argila”, voltado ao uso mais eficiente do fósforo no campo. (Grupo Piccin)

Agência de Defesa Agropecuária do Piauí apresentou novo módulo do Sistema Integrado de Defesa Agropecuária para controle de estoques em revendas de agrotóxicos. A ferramenta busca ampliar a rastreabilidade e fortalecer a fiscalização. (Governo do Piauí)

MAPA divulga a aprovação de 39 registros de pesticidas, sendo 23 produtos formulados químicos e 16 produtos biológicos. (DOU, Ato nº 25 – publicado em 04/05/26, MAPA)

Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários reuniu órgãos de defesa agropecuária do Nordeste em São Paulo para discutir os impactos das novas leis de Agrotóxicos e Bioinsumos e a transição até a publicação dos decretos regulamentadores. O encontro tratou da harmonização entre normas federais e estaduais e do avanço do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica – Sispa, plataforma federal criada para integrar sistemas estaduais e agilizar processos regulatórios. (Aenda)

Tribunal de Justiça de MT, por meio da Terceira Câmara de Direito Privado, manteve ação de indenização por supostos danos causados pela deriva de agrotóxicos em lavouras vizinhas. A defesa alegava que o prazo legal para pedir indenização já havia vencido, mas o tribunal entendeu que mensagens de celular com proposta de pagamento de R$ 40.833,80 indicavam reconhecimento extrajudicial da dívida, o que interrompeu a contagem do prazo. O processo ainda não decidiu se houve dano ou quem deve pagar; a fase de produção de provas continua aberta. (Tribunal de Justiça de Mato Grosso)

Pesquisa da Universidade Regional de Blumenau investiga efeitos de agrotóxicos sobre abelhas nativas sem ferrão. Segundo resultados preliminares, diferentes espécies reagem de formas distintas à exposição ao mesmo produto. O estudo questiona o uso de uma única espécie exótica como modelo em testes ecotoxicológicos e avalia mortalidade e efeitos subletais. (Universidade Regional de Blumenau)

Pesquisadores da UFRJ, em parceria com a Embrapa, desenvolveram biodetergente sem agrotóxico capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes no pós-colheita. Em testes com laranjas inoculadas com fungos, 11 de cada 12 frutas tratadas permaneceram intactas após dez dias. O produto será testado em escala maior e em outras frutas, como morango, mamão e goiaba, além de grãos como feijão e soja. (Andifes)

FMC registrou prejuízo de US$ 281 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante perda de US$ 15,5 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita caiu 4%, para US$ 759 milhões, pressionada por queda de 6% nos preços, custos mais altos de matérias-primas e efeitos fiscais. Na América Latinaa receita recuou de US$ 207 milhões para US$ 177 milhões, refletindo maior competição e preços mais baixos no mercado de defensivos. (FMC Corporation)

Adama, controlada pelo Syngenta Group, registrou lucro líquido de US$ 82 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 289% ante o mesmo período de 2025. A receita cresceu 3,7%, para US$ 1,037 bilhão, com aumento de volumes e queda de preços. Na América Latina, as vendas recuaram 2%, para US$ 144 milhões; no Brasil, a empresa citou leve queda na receita, com preços significativamente menores e maiores volumes. (Adama)

Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina e a Faculdade de Ciências Agrárias de Balcarce desenvolveram protocolo para medir deriva em aplicações de agroquímicos com drones. A metodologia adapta normas internacionais e permite gerar dados comparáveis sobre deslocamento de gotas fora do alvo, considerando fatores como altura de voo, velocidade do equipamento, tamanho de gota, vento, temperatura e umidade. (INTA)

Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina oficializou a Resolução nº 373/2026, que atualiza as regras de rotulagem de produtos fitossanitários conforme diretrizes do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos. A norma redefine as informações obrigatórias em embalagens, rótulos e bulas, incluindo critérios de identificação, precauções de uso, recomendações de aplicação e comunicação de perigos. (Senasa)

Fiscalização em Entre Ríos, na Argentina, encontrou trabalhadores rurais vivendo em moradias precárias feitas com silo bolsas e consumindo água armazenada em galões de agroquímicos. A operação foi conduzida pela Secretaria do Trabalho, com apoio da Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro e da União Argentina de Trabalhadores Rurais e Estivadores. Também foram identificados trabalhadores sem registro formal. (Secretaria do Trabalho de Entre Ríos)

Moradores de Tandil, na Argentina, protestaram contra a atualização da norma que regula a aplicação de agroquímicos no município. O grupo, sob o lema “Parem de nos fumigar”, pediu que a nova norma não fosse votada antes da escuta das reivindicações da população. A sessão foi adiada para permitir nova reunião com vereadores. (Concejo Deliberante de Tandil)

Conforme noticiado anteriormente, o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile anunciou que passaria a exigir aviso prévio de pelo menos 48 horas aos apicultores próximos antes da aplicação de pesticidas classificados como moderadamente tóxicos para abelhas. A exigência agora entrou em vigor em 26/04, no âmbito da implementação da Lei Apícola, e se soma à obrigação já vigente para produtos muito tóxicos. A notificação deve ser feita por meio comprovável, como e-mail, mensagem de texto ou comunicação escrita. (SAG)

México reformou o regulamento PLAFEST (Plaguicidas, Fertilizantes y Sustancias Tóxicas), que disciplina o registro, a importação e a exportação de pesticidas, nutrientes vegetais e substâncias perigosas. As mudanças incluem a criação da categoria de “novo produto químico agrícola”, proteção por 10 anos de dados técnicos de segurança e eficácia, e exigência de comprovação junto à Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários quando houver patente vigente no país. A medida altera a estratégia regulatória para empresas que pretendem registrar novas moléculas. (IKAN Consultores)

Grupo Agrollano inaugurou loja em San Carlos, em Cojedes, Venezuelaampliando oferta de insumos agrícolas e agroquímicos com apoio do Estado venezuelano. A iniciativa inclui fornecimento de insumos, financiamento e assistência técnica, com foco em culturas estratégicas como milho e arroz, visando fortalecer a produção regional e garantir preços mais acessíveis aos produtores. (Agrollano)

Carbono no solo: base da sustentabilidade dos sistemas agrícolas