“As cadeias emergentes representam segmentos nos quais o Brasil já é e também nos quais poderá ser referência para todo o mundo”
Giuliano Pauli é diretor de inovação na Superbac Biotechnology Solutions e conselheiro da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal – Abisolo.
Pauli é mestre e doutor em biotecnologia pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP.

Giuliano Pauli, diretor de inovação na Superbac
AgriBrasilis – O que são bioinsumos e como se relacionam com o Plano Nacional de Fertilizantes – PNF? Qual o crescimento de mercado para cada tipo de bioinsumo?
Giuliano Pauli – Bioinsumos são produtos utilizados na agricultura que contêm organismos vivos ou substâncias derivadas desses organismos, como microrganismos (bactérias, fungos e vírus). Eles têm a função de controlar pragas e doenças, melhorar a fertilidade do solo, aumentar a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos, promover o crescimento das culturas, além de reduzir os impactos associados ao uso exclusivo de produtos químicos.
O Plano Nacional de Fertilizantes é uma política de estado que visa reduzir a exacerbada dependência nacional da importação de fertilizantes minerais de outros países por meio de cinco diretrizes estratégicas:
- Modernizar, reativar e ampliar as plantas e projetos de fertilizantes existentes no Brasil;
- Promover vantagens competitivas na cadeia de produção nacional de fertilizantes para melhorar o suprimento do mercado brasileiro;
- Melhorar o ambiente de negócios no Brasil para a atração de investimentos;
- Ampliar os investimentos em PD&I e no desenvolvimento da cadeia de fertilizantes e nutrição de plantas no Brasil;
- Adequar a infraestrutura para integração de polos logísticos e viabilização de empreendimentos.
Um tema recorrente dentro dessas diretrizes é o desenvolvimento e maturação das cadeias emergentes que contemplam os bioinsumos e os fertilizantes organominerais/orgânicos.
A evolução desse mercado tem ocorrido de forma consistente ao longo dos últimos 10 anos, com crescimentos médios anuais acima de 25-30% ao ano, conquistando parte do mercado anteriormente dominado pelas soluções químicas para proteção e nutrição de plantas. Atualmente, o mercado de bioinsumos representa aproximadamente 5% do mercado total, com expectativa de dobrar de participação dentro dos próximos três a cinco anos.
AgriBrasilis – O senhor participou da discussão sobre o PNF na Câmara dos Deputados. Que pontos foram levantados na reunião? Quais os principais atores envolvidos nessa discussão?
Giuliano Pauli – A discussão foi uma excelente oportunidade de exposição de ideias de todos os atores ligados ao setor de fertilizantes, desde o Executivo, o Legislativo, a Embrapa, a iniciativa privada e as principais associações que representam os diferentes segmentos da indústria de fertilizantes.
Dentre os diversos temas discutidos é possível destacar: a isonomia tributária para fabricação e importação de fertilizantes, a importância da sustentabilidade como pilar fundamental dos novos projetos, a competitividade do gás natural, a relevância da maturação das cadeias emergentes e a necessidade de potencializar os investimentos em ciência e tecnologia.
Outro tema recorrente durante o evento foi a importância da governança na coordenação do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas – Confert, com a participação ativa do governo e do setor privado, e a relevância do trabalho em equipe realizado para que o PNF se concretizasse em uma política de estado, com ações de curto, médio e longo prazos, e que considerasse todos os aspectos que são relevantes para a cadeia de nutrição de plantas no Brasil.
AgriBrasilis – Qual a importância estratégica das cadeias emergentes no PNF? Quais as metas para essas cadeias?
Giuliano Pauli – As cadeias emergentes representam segmentos nos quais o Brasil já é e também nos quais poderá ser referência para todo o mundo. Segundo o PNF, essas tecnologias serão responsáveis por suprir aproximadamente 30% de toda a demanda por NPK nacional no médio prazo.
O fortalecimento das cadeias emergentes de bioinsumos e fertilizantes organominerais também contribui para o desenvolvimento da indústria nacional, estimulando a produção interna, com a geração de empregos e oportunidades de negócios. Isso pode impulsionar a economia local, aumentar a competitividade do setor agrícola e promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico em áreas em que o Brasil apresenta vantagens competitivas.
AgriBrasilis – Qual a importância das práticas de manejo de solo nesse contexto?
Giuliano Pauli – Até o presente momento, o conhecimento do solo se concentrou principalmente em suas características químicas. No entanto, uma abordagem mais moderna reconhece a importância das características físicas e biológicas do solo em igual medida.
As práticas de manejo de solo, como a utilização de bioinsumos e fertilizantes organominerais, desempenham papel fundamental na melhoria da disponibilidade e na ciclagem desses nutrientes no sistema agrícola. Além disso, essas práticas contribuem para a resiliência das plantas diante dos diversos estresses bióticos e abióticos que ocorrem durante o ciclo de cultivo.
Portanto, considerar o solo como o principal ativo do agricultor e adotar práticas integradas de manejo, que levem em conta suas características físicas, químicas e biológicas, é essencial para promover uma agricultura integrada e que utilize de forma cientificamente robusta todas as tecnologias disponíveis no mercado.
AgriBrasilis – O senhor disse que não devemos pensar em soluções únicas para nutrição e proteção de plantas. Como abordar essas questões?
Giuliano Pauli – Considerando a extensão e a complexidade da agricultura brasileira, é irrealista acreditar que tecnologias isoladas serão capazes de atender a todas as demandas do setor.
O manejo integrado é a abordagem mais adequada para proteção e nutrição das plantas. É de suma importância contemplar a utilização de bioinsumos sempre que possível, combinando-os com produtos químicos somente quando necessário, de modo a estabelecer uma integração que promova a sinergia necessária para que a agricultura brasileira continue como referência em eficiência e sustentabilidade.

Fonte: Ministério da Agricultura
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