Fósforo mais caro aumenta pressão por eficiência no manejo do solo

Published on: August 13, 2026

Com importações de MAP em queda em 2026, compactação, matéria orgânica e cobertura com palha tornam-se ainda mais importantes para melhorar o aproveitamento do nutriente…

Sandro Roberto Brancalião é pesquisador científico do Instituto Agronômico  – IAC, na divisão de cana-de-açúcar, em Ribeirão Preto, SP. Engenheiro agrônomo, possui mestrado e doutorado em agricultura pela Unesp.

Denizart Bolonhezi é pesquisador científico do IAC, na divisão de cana-de-açúcar, em Ribeirão Preto, SP. Engenheiro agrônomo, possui mestrado e doutorado em agronomia pela Unesp.

André Luiz de Souza Lacerda é consultor da Agrolacerda e engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras. Possui mestrado em agronomia pela Unesp, doutorado em fitotecnia pela USP e pós-doutorados em fitotecnia pelo Instituto Biológico de São Paulo (IB/SP) e em química pela Unicamp.

Antônio Lúcio Mello Martins é pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA, na Regional de Pindorama, SP, onde foi diretor técnico de 2000 a 2021. Engenheiro agrônomo pela Esalq/USP e doutor pela Unesp, atua nas áreas de fitotecnia, ciência do solo, recursos hídricos e educação ambiental.

Márcio Aurélio Pitta Bidóia é engenheiro agrônomo e mestre em Agronomia, com ênfase em Produção Vegetal, pela Unesp. Desde 1997, atua no Programa de Melhoramento de Cana-de-Açúcar do IAC, em Ribeirão Preto, SP.


O mercado brasileiro de fertilizantes iniciou o segundo semestre de 2026 com preços elevados para os fosfatados e uma janela de abastecimento mais apertada. No primeiro semestre, as importações das principais matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes caíram 8,6% ante o mesmo período de 2025. No caso do fosfato monoamônico (MAP), a redução chegou a 24%, segundo levantamento da StoneX divulgado em julho.

Esse cenário torna ainda mais importante aumentar a eficiência do fósforo aplicado nas lavouras. A disponibilidade do nutriente não depende apenas da dose utilizada ou dos resultados da análise química. A qualidade física do solo, o teor de matéria orgânica, a atividade biológica e a manutenção da cobertura vegetal também interferem no aproveitamento da adubação.

Compactação varia conforme o tipo de solo

A compactação está entre os fatores que precisam ser considerados. De acordo com grande parte da literatura sobre manejo, os limites críticos de densidade são maiores nos solos arenosos que nos argilosos, com valores de referência próximos de 1,6 kg dm⁻³ e 1,3 kg dm⁻³, respectivamente.

Isso significa que a densidade do solo não deve ser interpretada isoladamente. O mesmo valor pode representar condições diferentes conforme a textura, a estrutura e as características da área avaliada.

Da mesma forma, indicadores químicos isolados não permitem uma caracterização completa da qualidade do solo. A avaliação deve reunir atributos químicos, físicos e biológicos, permitindo identificar limitações que nem sempre aparecem em uma análise convencional de fertilidade.

Palha protege o solo e ajuda a conservar a umidade

Na cana-de-açúcar, a manutenção da palha ou da fitomassa sobre o solo exerce papel importante nesse manejo. Além de reciclar nutrientes, a cobertura reduz a amplitude térmica, ajuda a conservar a umidade e protege a superfície durante as diferentes fases de desenvolvimento da cultura.

A retirada ou a incorporação excessiva da palha deixa o solo mais exposto às variações de temperatura, à perda de água e à erosão. Por isso, a cobertura deve ser considerada parte do manejo da fertilidade e não apenas um resíduo da colheita.

Cana-de-açúcar IACSP97-4039 em Ambiente de Produção B1, na região de Ribeirão Preto, SP. Foto: Sandro Roberto Brancalião.

Parte do fósforo permanece pouco disponível

Nos solos mais intemperizados, comuns em regiões agrícolas brasileiras, as formas orgânicas representam aproximadamente 20% a 35% do fósforo total. A matéria orgânica participa, portanto, do armazenamento e da ciclagem do nutriente.

Entre as formas inorgânicas, aproximadamente metade corresponde ao fósforo residual, que apresenta baixa disponibilidade para as plantas. O restante inclui formas ligadas ao cálcio e aquelas extraídas pela resina de troca aniônica.

Os solos também diferem quanto à sensibilidade do fósforo lábil às alterações na concentração do nutriente na solução. Essa resistência é denominada poder tampão e permite que o solo mantenha níveis mais constantes de fósforo na solução à medida que o nutriente é retirado pelas plantas.

Em solos cuja fração de argila é composta predominantemente por oxihidróxidos de ferro e alumínio, além de caulinita, a capacidade de sorção do fósforo é elevada. Nessa condição, uma parcela do nutriente aplicado pode ficar fortemente retida no solo, com menor disponibilidade imediata para as plantas.

Ao mesmo tempo, a desagregação excessiva e a ausência de cobertura vegetal favorecem a erosão. O escoamento superficial transporta sedimentos e os nutrientes associados a essas partículas, retirando fósforo da camada cultivada.

Eficiência começa pelo manejo integrado

Com os fertilizantes fosfatados mais caros e a oferta pressionada em 2026, reduzir perdas e melhorar o aproveitamento do fósforo tornou-se uma questão econômica ainda mais relevante.

A eficiência da adubação começa antes da aplicação. Exige controle da compactação, preservação da matéria orgânica, manutenção da palha e avaliação conjunta dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

Mais do que definir quanto fósforo aplicar, o manejo deve considerar como o solo armazena, disponibiliza e protege esse nutriente. É essa combinação que determina o retorno da adubação e a capacidade de sustentar a produtividade ao longo dos ciclos.

Sandro Brancalião, pesquisador no IAC

André Lacerda, consultor na Agrolacerda

Denizart Bolonhezi, pesquisador no IAC

 

 

 

 

 

 

 

Márcio Bidóia, pesquisador no IAC

Antônio Martins, pesquisador da APTA

 

 

 

 

 

 

 

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