Mercado de defensivos para milho verão cresce 21% na safra 2025/26
Brasil
Anvisa aprovou, mediante ações judiciais, a avaliação toxicológica de flumioxazina 32 g/L ZC (PILARQUIM), clomazona 360 g/L CS (BRILLIANCE), etiprole 200 g/L SC (PERTERRA), e espinosade (QILU). (DOU, Res. 2.033 – 2.036 – publicados em 18/05/26, Anvisa)
MAPA publicou relação com 60 pedidos de registro de produtos técnico de pesticidas. (DOU, Ato nº 30 – publicado em 15/05/26, MAPA)
Vittia registra receita líquida de R$ 121,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 11,5% ante mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o recuo à cautela dos produtores na compra de insumos, em meio à pressão sobre rentabilidade, crédito mais restrito e maior seletividade. O resultado líquido ajustado ficou negativo em R$ 5,9 milhões, mas dívida líquida caiu 19,9%, para R$ 174,4 milhões. (Vittia)
Amazonas debate a implementação do Plano Estadual de Fertilizantes em audiência pública na Assembleia Legislativa. A Federação da Agricultura e Pecuária do AM defendeu plano para atrair investimentos em mineração sustentável e aproveitar o potencial local em potássio, fósforo e gás natural. A entidade afirmou que a dependência de fertilizantes importados aumenta a vulnerabilidade do agro amazonense, pressiona os custos de produção e pode afetar a segurança alimentar e os preços dos alimentos. (FAEA/Senar; Aleam)
PM apreendeu 251 galões de defensivos agrícolas de origem ilícita em Cuiabá, MT. O material foi encontrado durante atendimento a uma ocorrência policial, junto com drogas, balança de precisão, máquinas de cartão e outros itens. (Polícia Militar de MT)
MG anunciou investimento de mais de R$ 3 milhões no projeto Citros Guard 4.0, que usará inteligência artificial, drones e aprendizado de máquina para monitorar o greening na citricultura. A iniciativa ocorre em momento crítico para o setor: a safra 2026/27 do cinturão citrícola deve cair 12,9%, para 255,20 milhões de caixas, pressionada por bienalidade negativa, clima irregular e avanço da doença. O movimento reforça a tecnologia fitossanitária como fator estratégico para proteger a produção e posicionar MG como nova fronteira dos citros no Brasil. (Fundecitrus)
Pesquisadores publicaram em 2026 o primeiro relato formal recente de Andrallus spinidens em lavouras de arroz no Brasil, com base em espécimes coletados em Itapecuru-Mirim, MA. O percevejo predador foi observado predando lagartas de Mocis latipes, praga com potencial de dano à cultura. O estudo também cita um registro histórico de Roraima, de 1981, e recomenda monitoramento da espécie como possível agente de controle biológico. Disponível em: doi.org/10.37486/2675-1305.ec08011. (UEMA; UFRGS; USP; Unesp)
Mercado de defensivos para milho verão cresceu 21% na safra 2025/26, passando de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,9 bilhões. O avanço foi impulsionado pelo aumento da área plantada e pela maior intensidade dos tratamentos nas lavouras. Herbicidas seguiram como principal categoria, com R$ 900 milhões, enquanto fungicidas ganharam espaço, com maior adoção de produtos premium. (Kynetec Brasil)
Pesquisadores desenvolveram revestimento à base de polímero derivado de óleo de mamona e nanoargila capaz de liberar ureia de forma controlada. Em testes com capim-piatã, a tecnologia reduziu a liberação rápida de nitrogênio e dobrou a absorção do nutriente em comparação à ureia sem revestimento. A inovação pode reduzir perdas ambientais, desperdício de fertilizantes e custos, em um cenário em que o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome. (Embrapa; Unaerp; Unesp; USP)
Cargill reforçou atuação na venda de insumos agrícolas no Brasil. 30% dos clientes de grãos já compram fertilizantes, defensivos e sementes diretamente com a trading, ante 5% há seis anos. A companhia vê risco de aperto no mercado de agroquímicos, diante de restrições de oferta na China e alta de preços, com o glifosato até 60% mais caro. Em paralelo, a Cargill Alimentos voltou ao lucro no Brasil, com R$ 1,696 bilhão em 2025, e a Cargill Agrícola negociou a venda da unidade bioindustrial de Ponta Grossa para a Dekel. (Cargill)
Petrobras retomou produção de fertilizantes na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, em Camaçari, após investimento de R$ 100 milhões. A unidade já opera com 90% da capacidade e pode produzir 1.300 toneladas diárias de ureia e 1.300 toneladas diárias de amônia, atendendo cerca de 5% da demanda nacional. A retomada reforça a estratégia de ampliar a produção doméstica de nitrogenados e reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. (Petrobras)
Feijão-fradinho com resíduos de glifosato até 355 vezes acima do limite permitido ficou mais de um ano sem ordem de recolhimento pelo Ministério da Agricultura, segundo investigação da ONG Repórter Brasil baseada em autos, laudos e decisões administrativas. As irregularidades envolveram lotes beneficiados pela NJF Indústria e Comércio, autuada em ao menos sete estados entre 2020 e 2025 por resíduos acima do limite ou substâncias não autorizadas em feijão. Anvisa afirmou que os níveis identificados demandam atenção dos órgãos competentes, especialmente pelo risco de exposição contínua de grupos vulneráveis. (Anvisa; ONG Repórter Brasil)
Bayer prevê lançar no Brasil, em 2028, o herbicida icafolin-metil, apresentado como o primeiro novo mecanismo de ação em cerca de 30 anos para controle pós-emergente de plantas daninhas. Anvisa já incluiu o ingrediente ativo na relação de ingredientes ativos de agrotóxicos, mas o produto ainda depende das avaliações do MAPA e do Ibama para uso técnico e comercial. A possível estreia no Brasil gerou críticas de organizações e pesquisadores, que questionam a suposta falta de estudos independentes e cobram mais dados sobre riscos ambientais e à saúde. (Bayer)
Piauí tornará obrigatório, a partir de 01/06/26, o registro online da compra, venda, estoque e movimentação de agrotóxicos pelo Sistema Integrado de Defesa Agropecuária. A Portaria nº 33/2026 da Agência de Defesa Agropecuária substitui o livro físico pelo controle informatizado e exige a identificação da propriedade rural de destino. Empresas que não registrarem as movimentações, apresentarem inconsistências de estoque ou deixarem de informar o receituário agronômico poderão sofrer penalidades. (Governo do Piauí; ADAPI)
Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP investigou contaminação passiva por agrotóxicos em agricultores de assentamentos rurais no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. O estudo aponta que contradições institucionais, econômicas e políticas ajudam a manter o problema, com fiscalização pouco efetiva e dificuldade de responsabilização. A pesquisa defende que a contaminação seja tratada não apenas como questão técnica, mas como resultado de relações sociais, econômicas e políticas. (Jornal da USP)
Carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru foi barrada no Aeroporto Internacional de Guarulhos após a detecção de Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil. O inseto pode atacar tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra e cebola, elevando custos de manejo e risco de perdas produtivas. (MAPA)
Mosaic alertou para risco de oferta insuficiente de fertilizantes fosfatados no mercado global, diante de restrições de matérias-primas e incertezas geopolíticas. Segundo o CEO Bruce Bodine, quase 20% do fosfato e metade do enxofre movimentados por via marítima têm origem no Oriente Médio, ampliando a vulnerabilidade da cadeia; no Brasil, a companhia adota postura mais cautelosa em vendas e alocação de capital devido ao ambiente de crédito mais complexo. (The Mosaic Company)
DVA nomeou Vicente Gongora, ex-CTO da UPL, como CEO da Divisão Agro Global. Engenheiro agrônomo, Gongora assume a liderança da próxima fase de crescimento da companhia no mercado agro global. (DVA)
RS concedeu licença de operação à Águia Fertilizantes para a primeira fábrica de fertilizante fosfatado natural do Estado, ligada ao Projeto Fosfato Três Estradas. A produção inicial será de até 150 mil toneladas/ano, com expectativa de 70 mil toneladas ainda em 2026; em 2027, a capacidade pode chegar a 300 mil toneladas/ano. (SEMA-RS; Fepam)
LOTS Group e Cocal iniciarão transporte de vinhaça, fertilizante orgânico derivado da produção de etanol, com 44 caminhões movidos a biometano. O projeto deve substituir mais de 19 milhões de litros de diesel e evitar cerca de 41 mil toneladas de CO2 em cinco anos, reduzindo em 91% as emissões da operação. (LOTS Group; Cocal)
Sindiveg afirmou que o mercado brasileiro de defensivos agrícolas deve ficar estável ou recuar levemente em 2026. Segundo o novo presidente do conselho de administração da entidade, Antonio Mauricio Marques, a projeção reflete o endividamento de produtores, crédito caro, queda nos preços de commodities e aumento de custos de matérias-primas ligado ao conflito no Oriente Médio. (Sindiveg)
Segundo o analista de mercado João Vitor Aguiar, as importações brasileiras de fertilizantes mostram mudança na composição em 2026. Entre janeiro e abril, o país importou 3,41 milhões de toneladas de nitrogenados, queda de 3%, com o sulfato de amônio chegando a 51% das importações da categoria. As compras de fosfatados caíram 6%, para 3,12 milhões de toneladas, enquanto as importações de cloreto de potássio cresceram 16%, para 4,4 milhões de toneladas. (Pátria AgroNegócios)
Artigo de Luis Eduardo Pacifici Rangel, Girabis Evangelista Ramos e Carlos Ramos Venâncio, membros do Conselho Científico Agro Sustentável, defendeu a revisão da aplicação da proteção de dados regulatórios no mercado brasileiro de defensivos agrícolas. Segundo os autores, a interpretação atual pode prolongar exclusividades, retardar a entrada de genéricos e limitar a concorrência, mesmo após a expiração de patentes. O texto propõe priorização regulatória para ingredientes ativos sem proteção vigente e com baixa concorrência. (CCAS)

América Latina
Guerra do Irã pressiona combustíveis e fertilizantes na América Latina. No Chile, a gasolina subiu cerca de 30% e o diesel 60%; no Brasil, o diesel avançou mais de 20%, afetando a colheita de soja, o plantio de milho e os custos de produção no campo. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Entre Ríos já projeta queda de 18% na área de trigo em 2026/27, para cerca de 600 mil hectares, devido ao aumento dos custos com fertilizantes e à piora da rentabilidade. (Universidade Nacional de La Plata; Bolsa de Cereales de Entre Ríos)
Rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas para a América Latina defendeu a expansão da agroecologia como forma de reduzir a dependência de agroquímicos na região. O artigo cita experiências na Argentina, Costa Rica e Paraguai, associando a transição agroecológica à redução de custos, menor exposição a pesticidas e fortalecimento da soberania alimentar. (Rapal)
Em Tandil, na Argentina, voltou o debate sobre a regulação municipal sobre o uso de agroquímicos, após mobilização de organizações ambientalistas e discussão no Concejo Deliberante. A discussão envolve a Portaria nº 17.404, que regula o manejo responsável de produtos agroquímicos no partido de Tandil, incluindo transporte, armazenamento, aplicação e controle. O tema segue sensível na região por envolver regras para aplicações agrícolas em áreas próximas a zonas urbanas, cursos d’água e espaços considerados vulneráveis. Disponível em: https://www.hcdtandil.gob.ar/legislacion/Ordenanza-17404.html. (HCD)
Pesquisadora Gisela Poletta, da Universidade Nacional do Litoral, na Argentina, investiga como agroquímicos e fármacos veterinários afetam o DNA do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) em áreas agrícolas da província de Santa Fé. Segundo Poletta, os estudos indicam danos genéticos, alterações na expressão de genes e atraso no crescimento de filhotes expostos, reforçando o uso da espécie como bioindicador de contaminação ambiental. (UNL)
Província de Entre Ríos, Argentina, iniciou ciclo de capacitações sobre aplicação de fitossanitários no marco da Lei provincial nº 11.178 de Boas Práticas. A primeira edição será realizada em 20/05, em Larroque, para operadores de equipamentos terrestres e manuais que buscam obter ou renovar a habilitação. O cronograma seguirá até outubro em outras localidades da província. (Governo de Entre Ríos)
Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos e a Associação de Produtores de Oleaginosas e Trigo firmaram acordos para garantir o fornecimento de ureia durante a campanha agrícola de inverno na Bolívia. A demanda do setor associado à entidade supera 11 mil toneladas anuais, beneficiando mais de 14 mil produtores. A estatal projeta comercializar 87.413 toneladas de ureia no mercado interno em 2026. (YPFB)
Colômbia discute projeto de lei para ampliar benefícios tributários do hidrogênio a amônia e fertilizantes verdes. Segundo a Associação Hidrógeno Colombia, o país importa mais de 80% dos fertilizantes, e a produção local de hidrogênio renovável poderia reduzir a dependência externa de insumos agrícolas e a exposição a choques geopolíticos. (Hidrógeno Colombia)
Federação das Cooperativas Agropecuárias de SC negocia parceria com a indústria paraguaia Tecnomyl para lançar uma marca própria de defensivos agrícolas. A proposta prevê herbicidas, inseticidas e fungicidas para cooperativas de SC e RS, com foco em reduzir custos de produção e aumentar a rentabilidade de agricultores associados. A Tecnomyl mantém escritório em Xangai para aquisição de moléculas e vem ampliando presença no mercado brasileiro de defensivos pós-patente. (Fecoagro; Tecnomyl)
Entidades pedem maior controle sobre a comercialização de inseticidas de alta toxicidade na República Dominicana, após intoxicação por fosfeto de alumínio em Santo Domingo que deixou duas mortes. Especialistas defendem venda apenas sob prescrição profissional, fiscalização mais rígida e cumprimento das normas sobre uso e comercialização de plaguicidas. (ANMPU)

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