Overview by AgriBrasilis (28/02/26 – 06/03/26)

Published on: March 5, 2026

Exportações brasileiras de de café recuaram 30,8% em janeiro de 2026

Kepler Weber encerrou 2025 com queda de 21,5% no lucro líquido, pressionada por margens mais apertadas, crédito restrito e menor apetite de investimento no agro brasileiro, mas encontrou na Argentina um importante vetor de expansão. No mercado argentino, a receita da companhia saltou de cerca de R$ 5 milhões em 2024 para aproximadamente R$ 50 milhões em 2025, consolidando o país como um dos principais motores do avanço internacional da empresa. (Kepler Weber)

Ativos argentinos perderam fôlego em 2026 e ficaram para trás no rali das bolsas da América Latina, à medida que o entusiasmo inicial com o ajuste econômico de Javier Milei deu lugar à frustração com resultados corporativos fracos, múltiplos elevados e menor entrada de capital. Mesmo com inflação em desaceleração e avanço fiscal, a recuperação dos lucros e o crescimento econômico ainda não ganharam tração suficiente para sustentar novas altas, enquanto investidores passaram a favorecer mercados maiores e mais líquidos, como Brasil e México. (MSCI)

Em janeiro de 2026, o Banco Central da República Argentina e o Tesouro Nacional realizaram compras líquidas de US$ 1,158 bilhão e US$ 265 milhões no mercado de câmbio, respectivamente, enquanto as reservas internacionais do BCRA aumentaram US$ 3,336 bilhões e fecharam o mês em US$ 44,503 bilhões. No mesmo período, pessoas físicas lideraram a compra líquida de moeda estrangeira, com US$ 3,146 bilhões, em um movimento puxado principalmente pela compra de cédulas. (Banco Central da República Argentina)

Safra brasileira de milho 2025/26 foi revisada para 141,71 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão abaixo da estimativa anterior, após um corte no potencial da safrinha, principal componente da produção nacional. A redução reflete a queda na produtividade média esperada da segunda safra, agora estimada em 6.417 kg/ha, embora o volume total ainda possa superar a colheita anterior de 140,05 milhões de toneladas. (Safras & Mercado)

Citi vê o Brasil como exceção em um cenário ainda pressionado para a inflação na América Latina em 2026, ao projetar desaceleração para 3,6%, favorecida pela valorização do real e por uma perspectiva mais benigna para a política monetária. Em contraste, México e Colômbia devem continuar enfrentando inflação persistente, pressionada por salários, política fiscal e outros fatores domésticos, reforçando a divergência entre os ciclos econômicos e de juros na região. (Citi Brasil)

Segundo a trading Hang Tung, as exportações brasileiras de sorgo devem seguir limitadas no primeiro semestre, devido à oferta restrita e à concorrência com os setores de ração e etanol de grãos, mas tendem a avançar no segundo semestre com a entrada da safrinha no mercado. Com a recente abertura da China ao sorgo brasileiro e uma safra estimada em 6,7 milhões de toneladas em 2025/26, o cereal pode ganhar liquidez e ampliar sua presença nas exportações. (Hang Tung)

Na missão do Brasil à Índia e à Coreia do Sul, o agronegócio registrou avanços em duas frentes estratégicas. Na Índia, foi firmado um memorando entre a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e a Indian Sugar & Bio-Energy Manufacturers Association para ampliar a cooperação em etanol, combustível sustentável de aviação, biogás e outras soluções de baixo carbono. Já na Coreia do Sul, o principal avanço foi o compromisso de realização de auditorias em plantas frigoríficas brasileiras, etapa prévia para a abertura do mercado à carne bovina do Brasil. (ApexBrasil; CNI; Ministério das Relações Exteriores)

Cargill retomou operações em seu terminal de Santarém, no Pará, após a desocupação indígena da área, em um movimento voltado a reduzir os impactos sobre os embarques de grãos pelo Arco Norte. A empresa afirmou que está focada em restabelecer as atividades e não detalhou nem os prejuízos causados pela paralisação nem o prazo para plena normalização. (Cargill)

Apesar do cenário de tarifas elevadas em 2025, o agronegócio brasileiro mantém os EUA como um destino estratégico e sofisticado, destacando-se nas exportações de café, sucos de frutas e derivados de cacau. O diagnóstico da ApexBrasil aponta que, além das commodities brutas, há um potencial crescente para alimentos processados, orgânicos e produtos naturais de maior valor agregado. Para consolidar essa presença frente à concorrência de países com acordos preferenciais, a agência foca no apoio técnico para adequação regulatória e na inserção do Brasil em cadeias globais de consumo sustentável. (ApexBrasil)

Déficit de armazenagem em MT, que hoje comporta apenas 50% da produção, compromete a rentabilidade dos produtores ao forçar a venda imediata da safra em períodos de preços baixos e alta pressão logística. Segundo a Aprosoja MT, esse gargalo estrutural é agravado pelos juros elevados, escassez de linhas de crédito e precariedade da energia elétrica rural, o que retira a autonomia comercial do agricultor e eleva os custos operacionais com secagem e descontos por umidade. A expansão da capacidade estática nas propriedades é apontada como essencial para garantir a segurança alimentar. (Aprosoja MT)

Análise meteorológica do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do MS aponta um alerta crítico para a escassez hídrica nas regiões sul e sudoeste de MS, devido ao regime de chuvas abaixo da média registrado desde o início de 2026. A situação tende a se agravar com a chegada do fenômeno El Niño a partir de maio, que trará temperaturas acima do normal e precipitações reduzidas, levando o governo estadual a intensificar as ações de prevenção a incêndios florestais por meio do Centro Integrado de Comando e Controle MS. (Semadesc)

PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, impulsionado predominantemente pela agropecuária, que registrou uma expansão expressiva de 11,7% no ano e de 12,1% no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2024. Este desempenho histórico foi sustentado por safras recordes de milho e soja, além de resultados positivos na pecuária e em culturas como fumo e laranja, consolidando o setor como o principal vetor de crescimento do Valor Adicionado nacional. Mesmo com a desaceleração do consumo das famílias e o recuo em segmentos industriais, a força das exportações agropecuárias e a alta produtividade no campo garantiram um PIB de R$ 12,7 trilhões. (IBGE)

MS consolidou-se como a maior potência de crescimento do agronegócio brasileiro em 2025, registrando uma alta de 18,6% no PIB setorial impulsionada pela modernização tecnológica, profissionalização da gestão e diversificação produtiva. O sucesso do estado é exemplificado pela adoção da integração lavoura-pecuária e pelo melhoramento genético em solos antes considerados desafiadores. Esse cenário de expansão fortalece o legado do produtor rural e posiciona a região como referência nacional em eficiência produtiva e sustentabilidade. (Agência de Notícias do MS)

O Instituto Mato-Grossense de Economia e Agropecuária projeta uma safra histórica de soja para MT em 2025/26, com produção recorde de 51,41 milhões de toneladas, impulsionada por uma produtividade média de 65,87 saca/ha. No mercado de subprodutos, enquanto as cotações internacionais de óleo e farelo subiram em Chicago devido a novas metas de biocombustíveis nos EUA, os preços locais em MT recuaram em função da menor demanda momentânea do setor de biodiesel e da queda na produção de biocombustível em janeiro. No entanto, a expectativa de elevação da mistura obrigatória para B16 no Brasil e a oferta recorde projetada para março sinalizam um potencial fortalecimento da demanda interna e a consolidação do estado como líder produtivo. (IMEA)

Exportações brasileiras de todos os tipos de café em janeiro de 2026 recuaram 30,8% em volume e 11,7% em receita frente ao mesmo mês de 2025, impactadas pela entressafra de estoques limitados de arábica e pela retenção de canéforas para o mercado interno. Segundo o Cecafé, a queda do dólar e a expectativa de uma safra recorde para 2026/27 desaqueceram os negócios internacionais. Apesar do declínio mensal em todos os segmentos o acumulado da safra 2025/26 ainda apresenta um crescimento de 8,1% em receita cambial, com a Alemanha e os EUA liderando os destinos. (Cecafé)

O Radar Mensal da Scanntech revelou uma crise aguda na cadeia do arroz, que lidera a queda na mercearia básica com retração de 36,4% no faturamento e recuo tanto em preços quanto em unidades vendidas. Diante desse cenário, o SindArroz-SC alerta que o faturamento das indústrias catarinenses caiu mais de 40%, pressionado pela mudança de hábitos de consumo, especialmente entre os jovens, e pela manutenção de altos custos fixos. (SindiArroz-SC)

Raízen emitiu um comunicado ao mercado em resposta a um ofício da CVM, esclarecendo notícias sobre um impasse entre seus acionistas controladores (Shell e Cosan) e credores para evitar uma recuperação judicial diante de dívidas de mais de R$ 55 bilhões. Enquanto a Shell propõe uma injeção de capital de US$ 3,5 bilhões mantendo a estrutura integrada, a Cosan e o BTG Pactual sugerem a cisão da companhia em unidades de produção e distribuição com aportes menores, gerando divergências que atrasam a solução financeira. (Raízen)



 

Chile e Nova Zelândia assinaram Acordo Agrícola Estratégico para o período 2026-2030, visando expandir a cooperação bilateral nos setores agrícola, florestal e pecuário por meio de inovação e comércio sustentável. Firmado pelos ministros Ignacia Fernández e Todd McClay, o tratado prioriza a redução de barreiras comerciais e o intercâmbio técnico. A parceria reafirma o compromisso mútuo com sistemas agroalimentares transparentes e resilientes. (Oficina de Estudios y Políticas Agrarias)

Federação Nacional de Cultivadores de Cereais, Leguminosas e Soja da Colômbia alertou que o país importa cerca de 85% dos 260 milhões de sacas de grãos que consome por ano, o que amplia a preocupação com a segurança e a soberania alimentar diante da queda da produção local de milho, feijão e soja. Segundo a entidade, essa dependência externa pressiona os produtores nacionais e exige medidas para fortalecer a competitividade, ampliar a infraestrutura e melhorar as condições de produção interna. (Fenalce)

Federação Colombiana de Pecuaristas alertou que o Decreto 0174 de 2026 e a Resolução 2057 de 2025 podem fragilizar a segurança jurídica no campo ao transferirem atribuições do Judiciário para autoridades administrativas em processos agrários. Segundo a entidade, as normas podem abrir espaço para despejos sem intervenção judicial prévia, reduzir prazos de defesa e ampliar o risco de invasões de terra, além de somar pressão sobre o setor com reajustes cadastrais rurais superiores a 1.000%. (Fedegán)

O avanço do gusano barrenador no México está pressionando a pecuária em várias frentes: em Guerrero, o estado soma 74 casos ativos e 529 acumulados, com maior concentração em Acapulco e Chilpancingo; em Oaxaca, há 2.779 casos registrados em bovinos nos últimos três meses, dos quais 183 seguem ativos, além de quatro casos de miíase em humanos; e, em Jalisco, novos focos confirmados mostram que a praga também avançou para o oeste do país. Em resposta, autoridades ampliaram brigadas sanitárias, armadilhas e a liberação de moscas estéreis, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que as exportações mexicanas de gado caiam a zero em 2026, após a crise sanitária desorganizar o fluxo comercial e manter restrições sobre os embarques. (USDA)



Ministério do Desenvolvimento Agropecuário intensificou as ações de vigilância sanitária e rastreabilidade em Bocas del Toro, com foco no controle da tuberculose, brucelose e da mosca berneira. Em uma operação de sete dias, a equipe técnica realizou exames em centenas de animais e implementou a identificação oficial de centenas de búfalos no distrito de Chiriquí Grande. (MIDA)

Liderado pelo ministro Felipe Meza, Ministério da Agricultura intensificou as ações de emergência em Lambayeque para proteger a agricultura familiar e prevenir inundações, mobilizando máquinas para obras de desassoreamento e construção de diques nos rios Motupe, La Leche e Chancay-Lambayeque. Além das intervenções estruturais que já beneficiaram milhares de habitantes e protegeram mais de 1.600 hectares de plantações em 2025, o ministério acionou o Seguro Agrícola para indenizar produtores afetados pelas chuvas. (Midagri)

Uruguai tornou-se o primeiro país do Mercosul a concluir a aprovação parlamentar do acordo com a União Europeia, que prevê a criação de uma zona de livre comércio com cerca de 750 milhões de pessoas. A Argentina concluiu a ratificação no Congresso poucas horas depois, mas o presidente Javier Milei saiu na frente na promulgação formal do tratado ao assinar, no mesmo dia, o decreto 111/2026. (Governo do Uruguai)


LEIA MAIS:

Exigências ambientais, barreiras comerciais e os riscos para o agro brasileiro