Proteção e nutrição de plantas - Update Semanal Brasil & América Latina (11/12/25 – 17/12/25)

Published on: December 16, 2025

Operação desmantelou quadrilha de falsificação, furto e roubo de agrotóxicos


BRASIL

Operação desencadeada pela Polícia Militar Ambiental junto ao Ministério Público de SP desmantelou quadrilha de falsificação, furto e roubo de agrotóxicos, resultando no cumprimento de 25 mandados de prisão, na prisão de 22 pessoas e na descoberta e desmantelamento de cinco laboratórios clandestinos, incluindo dois de grande porte usados para a adulteração e falsificação dos produtos. (Agência SP)

Fiagril inaugurou um novo escritório em Balsas, no Maranhão, ampliando sua presença na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A empresa, que atua no Tocantins há 11 anos, afirmou que a nova unidade busca aproximar o atendimento aos produtores locais e avançar no plano de expansão em fronteiras agrícolas. (Fiagril)

Agência de Defesa Agropecuária do Paraná apreendeu, de forma cautelar, cerca de 142 toneladas de fertilizantes durante uma operação de fiscalização em municípios da Região Metropolitana de Curitiba, em ação conjunta com a Polícia Civil do Paraná e a Receita Estadual. Segundo o órgão, os agentes identificaram indícios de produção irregular e inconformidades de armazenamento e documentação de origem, com foco em coibir fraudes e assegurar a qualidade dos insumos que chegam ao campo. (Adapar)

Mercado brasileiro de fertilizantes acumulou mais de R$ 40 milhões em perdas por roubos, furtos e adulterações entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (National Fertilizer Promotion Association, ANDA). As adulterações responderam pela maior fatia (R$ 26,9 milhões). Existe concentração de casos em rotas e portos específicos, o que faz necessário o reforço de rastreabilidade, melhorias logísticas e integração com órgãos de segurança, incluindo maior uso de monitoramento, telemetria e Internet das Coisas (Internet of Things, IoT). (ANDA)

Até o momento, em 2025, o Brasil registrou novo recorde de liberação de agrotóxicos: 725 novos produtos aprovados de fevereiro ao início de dezembro, alta de quase 10% sobre 2024, quando 663 produtos já haviam estabelecido o recorde anterior. (MAPA)

Em cumprimento a decisão judicial, Anvisa aprova avaliação toxicológica de clomazona + flumioxazina, da Oxon. (DOU, Res n° 5013 de 11/12/2025, Anvisa)

Anvisa publica desistência de 19 pedidos de avaliação toxicológica de agrotóxicos. (Dou, Res n° 5011 de 11/12/2025, Anvisa)

Mapa publicou 38 cancelamentos de registro e 4 cancelamentos de pleitos para registro de pesticidas. (DOU, Ato n° 59 de 08/12/2025, MAPA)

Brasil consolidou modelo de referência em economia circular no setor de defensivos agrícolas com a Campo Limpo, indústria sediada em Taubaté, SP, que, desde 2008, já reciclou e recolocou no mercado mais de 120 milhões de embalagens de pesticidas. Segundo o presidente da empresa, Marcelo Okamura, a retirada e reciclagem dessas embalagens desde 2002 evitou a emissão de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂. (Campo Limpo; InpEV)

Uso de bioinsumos segue em expansão no Brasil, mas técnicos alertam para risco operacional subestimado: a mistura de produtos biológicos com fertilizantes e outros químicos incompatíveis no tanque pode “inativar” microrganismos antes mesmo da aplicação, por efeitos de pH e salinidade da calda. Segundo o gerente de produtos da Fortgreen,  João Vidotto, o desafio está em garantir compatibilidade para buscar o “efeito aditivo”, ou sinérgico. Além disso, existe demanda por maior critério técnico na escolha e no manejo das misturas para evitar perda de performance e desperdício de investimento. (Fortgreen)

Pulgão-do-algodoeiro, Aphis gossypii, volta a preocupar os cotonicultores pela rápida multiplicação (ciclo de 7 a 10 dias) e pelos danos diretos à planta, como deformação de folhas e redução do crescimento e da fotossíntese. A praga também favorece fumagina (fungos do gênero Capnodium) via excreção açucarada (“honeydew”), reduz a qualidade da fibra (“sticky cotton”) e pode atuar como vetor de viroses; em ataques severos, as perdas podem chegar a 40%. O manejo deve priorizar atenção às infestações iniciais e condições favoráveis (calor e baixa umidade), considerando que sugadores como esse respondem por parcela relevante das pulverizações com inseticidas. (Rainbow Agro)

Mancha-oleosa, doença bacteriana do maracujazeiro causada por Xanthomonas axonopodis, está se tornando um risco crescente em áreas úmidas, com danos principalmente nas folhas (desfolha intensa) e reflexos diretos na fotossíntese, no enchimento dos frutos e no valor comercial; em falhas de manejo, as perdas podem superar 80%. O problema é particularmente crítico no Nordeste, com maior pressão entre dezembro e junho nas regiões chuvosas, exigindo estratégia preventiva e continuidade nas aplicações, além de integração com o manejo de outras pragas recorrentes na cultura, como tripes, broca do maracujá, mosca-das-frutas e ácaros. (Satis)

Associação Baiana dos Produtores de Algodão encerrou a temporada de seis encontros regionais do Abapa Conecta, iniciativa que reforça a defesa fitossanitária e a coordenação entre produtores no combate ao bicudo-do-algodoeiroAnthonomus grandis. Em 2025, os encontros reuniram cerca de 170 cotonicultores e equipes técnicas, e a entidade já prevê nova rodada em 2026; a Abapa também detalhou a reestruturação dos Núcleos Produtivos, reduzindo de 18 para sete, com foco em proximidade geográfica e características produtivas para ampliar a efetividade das ações regionais. (Abapa)

Crise do crédito rural, somada ao aumento dos custos de produção e à elevação da taxa Selic, está comprimindo margens e ampliando o endividamento no campo, elevando o risco de inviabilização de atividades em diferentes cadeias produtivas. A escassez e a demora nas linhas de custeio e investimento têm impulsionado a recuperação judicial entre produtores (2.273 pedidos em 2024, +62% ante o ano anterior, com tendência de alta em 2025) e pode resultar em menor produção e pressão sobre preços de alimentos, defendendo ampliação imediata do volume de recursos subsidiados para evitar agravamento do quadro. (Faesc; Senar/SC)

Vittia projeta um 2026 ainda difícil para o agronegócio, com clima irregular, crédito mais restrito e margens pressionadas, além de atrasos na venda de insumos após o plantio ter sido adiado pela falta de chuvas em 2025. Ao mesmo tempo, a empresa reforçou sua aposta em inovação ao instalar um sistema automatizado de fenotipagem 3D e multiespectral no Centro de P&D em São Joaquim da Barra, SP, para acelerar a seleção e validação de microrganismos e formulações para bioinsumos. (Vittia)

Programa “Adjuvantes da Pulverização”, do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, encerrou 2025 com mais de 100 adjuvantes certificados de 60 empresas no Brasil, todos com Selo de Funcionalidade. A iniciativa avançou ao compartilhar com as parceiras tabelas próprias de interpretação de resultados e ao adotar parâmetros exclusivos para adjuvantes (como tensão superficial, espalhamento e deriva), buscando reduzir riscos ao agricultor em um mercado que não exige registro oficial obrigatório; o processo de certificação leva em média seis meses e é financiado com recursos privados. (IAC)

Anvisa divulgou Agenda Regulatória 2026–2027 e incluiu, na área de agrotóxicos, a reavaliação toxicológica dos ingredientes ativos epoxiconazol e tiofanato-metílico. O plano também prevê revogar a Resolução da Diretoria Colegiada nº 184/2017 e determinar a migração dos produtos que foram protocolados via Sistema de Peticionamento e Controle de Prazos de Análise Toxicológica. (DOU, Portaria nº 1.484, de 15/12/25, Anvisa)

Associação Nacional para Difusão de Adubos elegeu novo Conselho de Administração para o mandato de 2 de janeiro de 2026 a 12 de dezembro de 2028, com Elias Alves Lima como presidente e Gustavo Rodrigues Zaitune como vice-presidente. A entidade destacou que a nova gestão assume em um período de mudanças no mercado de fertilizantes, com maior pressão por competitividade, segurança de suprimento e sustentabilidade, sucedendo a presidência de Eduardo de Souza Monteiro (triênio encerrado em 2025). (ANDA)

Importações brasileiras de fertilizantes recuaram em novembro de 2025 para cerca de 3,3 milhões de toneladas, movimento que a StoneX atribui à sazonalidade típica do fim do ano, após maiores volumes entre agosto e outubro. No acumulado de janeiro a novembro, porém, as compras seguem acima de 2024, apesar de decisões feitas em um ambiente de preços elevados e incertezas geopolíticas; a análise também aponta mudança no mix, com queda de 12% nas importações de ureia (6,6 milhões de toneladas) e alta de 31% no sulfato de amônio, à medida que compradores buscaram alternativas de melhor custo-benefício diante de oferta restrita de produtos como ureia e monoamônio fosfato. (StoneX Consultoria)

Ballagro e a Symbiomics firmaram parceria para intercambiar seus portfólios de microrganismos e avaliar combinações em uma única linha de pesquisa, mirando uma nova geração de bioinsumos. A Ballagro terá acesso à plataforma tecnológica da Symbiomics para identificar e selecionar microrganismos de alto desempenho, com a promessa de acelerar o desenvolvimento de produtos em até duas a cinco vezes versus métodos tradicionais. Executivos da Symbiomics destacam que, embora o Brasil tenha mais de 600 registros de biodefensivos microbianos, eles se concentram em poucos grupos, e o acordo busca ampliar essa base com novos isolados competitivos para plantas e solo. (Ballagro; Symbiomics)

Segundo Luis Eduardo Pacifici Rangel, políticas públicas como o Plano ABC+, o Programa Nacional de Bioinsumos e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica não tiveram efeito estatisticamente mensurável na adoção de bioinsumos no Brasil entre 2014 e 2023, sugerindo que o crescimento do setor é puxado principalmente por dinâmica de mercado e vantagens da agricultura tropical. De acordo com Rangel, instrumentos financeiros, como crédito sustentável, tendem a ter maior correlação com a adoção, especialmente para inoculantes. (CCAS)

Ibama comunicou o cancelamento, a pedido da registrante, do registro de um produto formulado para fins não agrícolas, de marca comercial Sonar, registro nº 2910/00. (DOU,  Comunicado nº 25646134/2025-DIQUA de 12/12/2025, Ibama)



América Latina

De acordo com o engenheiro agrônomo Jorge Vildoza, presidente do Colégio de Engenharia Agronômica de Catamarca e da Federação Argentina de Engenharia Agronômica, uma fumigação aérea registrada por moradores em Balcozna (município de Paclín) reacendeu o debate sobre falta de fiscalização no uso de agroquímicos na província. Vildoza afirma que existe legislação específica, mas que o problema é a baixa aplicação e controle. A Lei Provincial nº 4395 e seu regulamento (Decreto nº 3175/87) estabelecem, entre outros pontos, distância mínima superior a 1.000 metros de centros povoados para operações aeroagrícolas e proíbem sobrevoo dessas áreas. (Colégio de Engenharia Agronômica de Catamarca)

Petrolífera da Argentina Yacimientos Petrolíferos Fiscales aprovou a venda de sua participação de 50% na Profertil, após a Nutrien vender a outra metade dias antes. A operação, estimada em aproximadamente US$ 1,2 bilhão, deixa a companhia com novos controladores: Adecoagro com 90% e a Associação de Cooperativas Argentinas com 10%. A Profertil manterá o nome, operando planta próxima a Bahía Blanca, com capacidade de 1,3 milhão de toneladas/ano de ureia granulada e 790 mil toneladas de amônia, respondendo por quase 60% do consumo argentino de ureia. (YPF)

De acordo com a Bayer, o programa PRO Carbono, criado em 2020 para medir emissões/pegada de carbono e apoiar práticas regenerativas,  se tornou uma plataforma regional no Brasil, Argentina e Paraguai, com mais de 3.000 agricultores e 3 milhões de hectares monitorados. Áreas com plantio direto, rotação e plantas de cobertura tiveram ganho médio de 11% em produtividade e 9% em estabilidade; a empresa também citou parcerias (como com a Viterra, na Argentina) e uma linha de crédito com o Rabobank atrelada a indicadores ambientais, sociais e de governança. (Bayer)

De acordo com Miguel Crespo, pesquisador e porta-voz da Productividad Biosfera Medio Ambiente – Probioma, 42% das terras agrícolas da Bolívia estão desertificadas após “décadas de uso indiscriminado de agroquímicos”. Crespo afirma que a importação desses produtos cresceu 500% em 20 anos, somando mais de US$ 500 milhões. Ele associa o quadro à perda de fertilidade do solo e à expansão da fronteira agrícola via desmatamento; em paralelo, a Probioma reporta 700 mil hectares com bioinsumos e a substituição de centenas de milhares de kg de agroquímicos, em mais de 60 culturas. (Probioma)

Na fronteira, no Posto Integral de Controle de San Isidro, a Autoridade Nacional de Aduanas do Panamá reteve duas cargas por falta de documentos que indicassem origem legal. No primeiro caso, um veículo transportava caixas com produtos agroquímicos sem fatura ou documentação.  No segundo, um caminhão articulado, conduzido por um cidadão costa-riquenho, levava 35 caixas com 150 frascos de medicamentos cada, sem registro sanitário e sem documentação; a ação ocorreu no âmbito da operação “Navidad sin Contrabando”. (Autoridade Nacional de Aduanas do Panamá)



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