Intoxicações por agrotóxicos em áreas de soja e milho no oeste do PA aumentaram 545%
BRASIL
MAPA publicou 26 cancelamentos de registro e 5 cancelamentos de pleito, sendo 4 a pedido das empresas registrantes. (DOU, Ato nº 57 de 27/11/25, MAPA)
Intoxicações por agrotóxicos em áreas de soja e milho no oeste do PA aumentaram 545% em cinco anos, passando de 31 casos (2016–2020) para 200 entre 2021 e 2025, segundo o painel de vigilância do Ministério da Saúde; comunidades indígenas, quilombolas e rurais em Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos relatam pulverizações próximas a casas, escolas e igarapés, enquanto o MPF aciona a Justiça para exigir fiscalização e limites de segurança para as aplicações. (Ministério da Saúde)
Ajuste SINIEF nº 42/2025 autorizou os Estados e o Distrito Federal a dispensar a emissão de documento fiscal nas operações com embalagens de agrotóxicos usadas e lavadas, e suas tampas, movimentadas por entidades gestoras de logística reversa entre produtores rurais, centrais/postos de recebimento e recicladores, desde que o sistema de logística reversa esteja estruturado conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as operações não sejam tributadas ou estejam isentas de ICMS. (Ministério da Fazenda)
Segundo Luis Rangel, membro do Conselho Científico Agro Sustentável, as chamadas “taxas do pecado” [aplicação de impostos mais altos cobrados sobre produtos considerados nocivos] não se aplicam aos agroquímicos, pois são insumos essenciais com demanda inelástica; aumentar impostos encarece alimentos sem reduzir uso, e a política mais adequada, de acordo com Rangel, seria manter a seletividade tributária para insumos agrícolas. (CCAS)
Viter, negócio de insumos da Votorantim Cimentos, especializada no comércio de calcário, passou a operar um armazém de 50 mil toneladas em Nobres, MT, parte de um plano de R$ 330 milhões que inclui ampliar em mais de 20% a capacidade de produção de calcário agrícola, de 740 mil para 900 mil toneladas por ano. (Viter Agro)
Boletim Insumos de novembro da Confederação da Agricultura e Pecuária mostra que o Brasil importou 9,76 milhões de toneladas de fertilizantes da China entre janeiro e outubro de 2025. (CNA)
Segundo Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, o fim dos benefícios fiscais para defensivos pode elevar em cerca de 25% o preço médio dos produtos, aumentar o custo dos alimentos básicos, reduzir PIB agropecuário e empregos e pressionar a inflação. (CropLife Brasil)
Secretaria da Agricultura do RS atualizou painel interativo de defensivos agrícolas com dados de comercialização e recomendações técnicas até 2024, ferramenta que amplia a transparência, subsidia políticas públicas e mostra uso crescente de produtos em faixas de menor toxicidade. Disponível em: https://www.agricultura.rs.gov.br/painel-de-defensivos-agricolas-e-atualizado-com-dados-de-2024. (Seapi/RS)
BS Agro e a GoGenetic Agro inauguraram em Sorriso, MT, um laboratório voltado a análises genéticas de solo e de bioinsumos, com o objetivo de fornecer diagnósticos mais rápidos e detalhados para embasar decisões de manejo e planejamento produtivo na região. (BS Agro; GoGenetic Agro)
Com a chegada das chuvas, capim-navalha (Paspalum virgatum) e cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta) avançam mais rápido nas pastagens, reduzindo a produtividade e exigindo controle precoce. A Embrapa classifica o capim-navalha como uma das principais invasoras em áreas úmidas, e estima prejuízos anuais de até US$ 800 milhões causados pela cigarrinha no Cerrado. (BASF; Embrapa)
FMC anunciou Leonardo Brusantin como novo líder da área de cana-de-açúcar no Brasil, responsável pela estratégia nacional e pela relação com produtores e parceiros. (FMC Corporation)
Segundo Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Instituto Brasileiro de Mineração, o Brasil ainda enfrenta “problemas com pesquisa” em potássio e precisa transformar áreas com potencial em reservas comprovadas, com investimento contínuo em geologia e na implantação de projetos como a mina de Autazes (AM), que poderia suprir cerca de 20% da demanda nacional a partir de 2030 e reduzir a dependência de fertilizantes importados, historicamente favorecidos pelo Convênio ICMS 100/1997. (Ibram)
Mineradora Terra Brasil Minerals busca captar cerca de US$ 1 bilhão para desenvolver um projeto integrado de terras raras e fertilizantes na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, onde detém mais de 3 bilhões de toneladas de rocha vulcânica com fosfato, potássio e elementos de terras raras, com potencial de produção por cerca de 50 anos. A empresa avalia a entrada de uma joint venture com investidores estrangeiros, em um contexto de maior interesse dos Estados Unidos e da União Europeia em reduzir a dependência da China nessas matérias-primas estratégicas. (Terra Brasil)
Prefeitura de Jataí, GO, promoveu reunião com usinas e representantes do setor industrial para apresentar a tecnologia de biochar, que transforma resíduos agrícolas em fertilizante e remove dióxido de carbono da atmosfera. Na ocasião, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, convidou a empresa NetZero, vencedora do prêmio XPRIZE Carbon Removal financiado pela Fundação Musk, a instalar uma unidade no município, visando atrair investimentos e impulsionar a agricultura de baixo carbono na região. (Prefeitura de Jataí)
Mosaic implementou projetos de inovação operacional em Tapira e Araxá, MG, para aproveitar minério antes considerado estéril e reorganizar rotas operacionais, aumentando a eficiência e garantindo a oferta de cerca de 450 mil toneladas de fertilizantes fosfatados ao mercado brasileiro em 2024, com ganhos econômicos e em sustentabilidade. (Mosaic Company)
Bioinsumos para nutrição vegetal da Mosaic Brasil ainda representam uma fatia pequena da receita de cerca de R$ 6 bilhões, mas já operam com margens em torno de 30%, contra 3%-4% dos fertilizantes tradicionais; a empresa elevou o volume vendido de 150 mil para 1,5 milhão de litros entre 2024 e 2025, alcançando mais de 10 milhões de hectares, e investe em P&D e em um novo laboratório de biológicos em Uberaba, MG, para aumentar a eficiência dos fertilizantes minerais. (The Mosaic Company)
Pesquisadores do Brasil e dos EUA identificaram em um fungo do gênero Fusarium uma molécula com potencial para dar origem a uma nova geração de bioinsumos agrícolas, com efeito herbicida superior a produtos sintéticos em testes de inibição de germinação de sementes, segundo a Embrapa; a expectativa é desenvolver soluções biológicas mais eficientes e ambientalmente seguras para o controle de plantas daninhas. (Embrapa)
Renato Seraphim, especialista em estratégia no agronegócio e senior business advisor da Focus Partners, alerta que a competitividade do produtor em 2026 será redesenhada por uma “revolução” das empresas chinesas de defensivos. Segundo ele, sete gigantes da China, com novas moléculas e domínio da cadeia de suprimentos, podem reduzir em até 30% o custo dos defensivos, mas exigem que o produtor diversifique fornecedores e planeje melhor as compras para garantir segurança e previsibilidade. (Focus Partners)
Segundo Reginaldo Minaré, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos, a produção de bioinsumos dentro da própria fazenda, autorizada desde o Decreto nº 6.913/2009 para uso próprio sem necessidade de registro, já tem 16 anos de experiência bem-sucedida no Brasil, é aceita internacionalmente e se tornou estratégica para reduzir custos, ampliar a autonomia do agricultor e estimular novos segmentos industriais, como fornecedores de inóculos, meios de cultura, biorreatores e serviços técnicos. (ABBINS)
Especialistas da Embrapa e da USP destacam que os bioinsumos já movimentam R$ 6,7 bilhões no Brasil, tratam 156 milhões de hectares. Apoiados pela nova Lei de Bioinsumos nº 15.070/2024 e por linhas de crédito do BNDES, os biológicos tendem a substituir parte dos agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, reduzindo riscos ambientais e custos para os produtores. (Pesquisa FAPESP)
Em cumprimento a decisões judiciais, Anvisa aprova avaliação toxicológica de ciprodinil + fludioxonil (Rainbow); ciprodinil + boscalida (Rainbow); e bifentrina + sulfoxarflor (Adama). (DOU, Res n° 4932 – 4934 de 04/12/2025, Anvisa)
Mercado de defensivos para algodão movimentou R$ 7,2 bilhões na safra 24/25, queda de 3% em relação a 23/24, apesar do aumento de 7% na área cultivada, em função da redução média de 10% nos preços dos produtos. O investimento médio em defensivos foi de R$ 3.472/ha (50% em inseticidas), com diferenças relevantes entre Mato Grosso e Bahia devido ao manejo do bicudo-do-algodoeiro weevil (Anthonomus grandis), e a projeção para 2025/26 indica custos estáveis. (Kynetec Brasil)
MAPA aprovou registro de 23 produtos técnicos e pré-misturas. (DOU, Ato n° 58 de 03/12/2025, MAPA)
Jeferson Souza, analista da Agrinvest Commodities, avalia que os preços da ureia recuaram “bem” nos últimos dois meses e que a relação milho/ureia em MT está em nível mediano, enquanto o sulfato voltou a subir, ainda dentro do padrão histórico; para o milho, o principal risco seria a janela de plantio, com provável redução de área em Piauí, Tocantins e Maranhão (substituída por sorgo), crise de crédito e atraso nas compras de insumos e defensivos, com produtores “comprando da mão para a boca”. (Agrinvest Commodities)
Pesquisadores monitoram a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) em lavouras de SC por dois anos e mostraram que o inseto é muito mais comum na safrinha e nas fases reprodutivas do milho. Parte considerável das cigarrinhas carregava agentes do complexo de enfezamento e o vírus “maize rayado fino”, que infecta o milho e provoca manchas amareladas nas folhas, reduzindo o enchimento das espigas. A infecção foi maior em áreas mais baixas e variou ao longo das semanas, indicando que o risco muda conforme o tempo e as áreas de incidência. Segundo os pesquisadores, redes de armadilhas e boletins semanais ajudam o produtor a decidir quando plantar, onde evitar safrinha perto de lavouras velhas e quando reforçar o controle da praga. (Cepaf/Epagri; UFSC)
Wallace Santos, sócio da AgriGer Soluções afirma que 2025 redesenhou a “cesta” de fertilizantes e agroquímicos mais pelo aperto de crédito do que pelos preços. No Brasil, produtores trocam fosfato monoamônico por superfosfato simples e aceleram a migração da ureia para o sulfato de amônio, buscando melhor custo por unidade de nitrogênio e inclusão de enxofre, enquanto o potássio mantém preço firme no cenário internacional, mas com menos compras antecipadas. No mercado de defensivos, herbicidas commodities como glifosato e glufosinato caem para piso histórico, ao mesmo tempo em que fungicidas multissítios, biológicos e outras moléculas (como clethodim) entram em ciclos de alta; para 2026/27, Santos avalia que o resultado dependerá menos de comprar “mais barato” e mais de acertar a janela e a estratégia de compras. (AgriGer Soluções)

América Latina
Na Argentina, equipe do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas desenvolveu biofertilizante granulado produzido a partir de resíduos agroindustriais locais. O produto melhora a fertilidade e a estrutura do solo com matéria orgânica e microrganismos benéficos, simplifica o manejo e promove agricultura regenerativa de baixo custo, com grande potencial inicial na região de Cuyo e planos de expansão produtiva e comercial em nível regional e internacional. (INTA; Conicet)
Na Argentina, o consumo de fertilizantes deve encerrar 2025 entre os maiores da história, com importações 19% superiores no acumulado de janeiro a outubro (3,4 milhões de toneladas e US$ 1,93 bilhão, +38% ano a ano), impulsionadas pelas altas expectativas para trigo e milho; ureia e fosfato monoamônico concentram a maior parte do volume importado. (Bolsa de Comércio de Rosário; Ciafa)
No Chile, o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica inaugurou novas instalações para a produção e ampliação em larga escala de bioinsumos, com altos padrões regulatórios, posicionando a instituição na vanguarda tecnológica para responder à crescente demanda por agricultura sustentável, reforçar a segurança alimentar nacional e abrir novas oportunidades para os setores de fruticultura e cultivos extensivos, com capacidade estimada de 100.000 doses anuais. (INIA)
Instituto Nacional de Investigação Agropecuária do Uruguai e a Embrapa assinaram acordo para criar a primeira Unidade Conjunta de Pesquisa e Inovação Internacional entre os dois países, uma unidade mista focada no bioma Pampa, em bioinsumos e em digitalização, para impulsionar uma produção agropecuária sustentável, resiliente e competitiva e fortalecer a cooperação científica bilateral e a segurança alimentar global. (INIA; Embrapa)

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