O agro em Goiás ficou mais complexo, segundo o presidente executivo da COMIGO

Published on: April 30, 2026

“O aumento do endividamento e dos pedidos de recuperação judicial reflete um ciclo de margens mais apertadas…”

Dourivan Cruvinel de Souza é agropecuarista, presidente executivo da Cooperativa COMIGO, onde foi conselheiro fiscal e de administração por 14 anos.

A COMIGO tem sede em Rio Verde, GO, e atua na armazenagem, industrialização e comercialização da produção agropecuária, além do fornecimento de insumos, assistência técnica, pesquisa e serviços aos cooperados.


AgriBrasilis – Como o senhor avalia o cenário do agro em Goiás?

Dourivan Cruvinel – O agro em Goiás segue forte, mas atravessa um momento de maior complexidade. Tivemos uma combinação de custos elevados, pressão climática e oscilações no mercado internacional que exigiram mais eficiência do produtor. Ainda assim, o estado mantém competitividade, tecnologia e escala, o que muda agora é o nível de gestão, quem está estruturado, com planejamento e acompanhamento técnico, continua avançando.

AgriBrasilis – Qual o impacto do endividamento e das recuperações judiciais no estado?

Dourivan Cruvinel – O aumento do endividamento e dos pedidos de recuperação judicial reflete um ciclo de margens mais apertadas, somado a frustrações de safra em algumas regiões. Isso afeta não só o produtor, mas toda a cadeia. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de gestão financeira mais rigorosa, uso consciente de crédito e decisões baseadas em dados, então é um momento de ajuste, não de retração definitiva.

AgriBrasilis – O senhor disse que a Comigo está fazendo o maior investimento da sua história. Vale a pena investir em um momento como esse?

Dourivan Cruvinel – Sim, desde que o investimento seja estratégico. A COMIGO investe com foco no longo prazo, na eficiência operacional e, principalmente, no fortalecimento do cooperado. Em momentos mais desafiadores, é justamente quando se criam as bases para ganhos futuros. Estamos ampliando capacidade, melhorando estruturas e preparando a cooperativa para continuar sendo competitiva e relevante.

Além disso, esse investimento se traduz diretamente em suporte ao produtor também. A cooperativa oferece assistência técnica qualificada, promove cursos e capacitações em gestão financeira para os cooperados, investe continuamente em pesquisa agrícola e pecuária por meio do CTC, e trabalha para garantir acesso a insumos e serviços com preços competitivos. Tudo isso para que o cooperado tenha mais segurança, eficiência e resultado dentro da porteira.

Um exemplo claro dessa estratégia é a nova fábrica esmagadora de soja em construção em Palmeiras de Goiás, que é o que você mencionou como maior investimento, na sua pergunta. Trata-se de um investimento estruturante, que aproveita o ganho logístico pela proximidade com a ferrovia e contribui para ampliar a industrialização da produção no estado. Isso significa mais valor agregado à soja produzida em Goiás e, consequentemente, mais rentabilidade para o produtor, além de fortalecer toda a cadeia produtiva regional.

AgriBrasilis – Como proteger o cooperado da volatilidade do mercado de grãos?

Dourivan Cruvinel – A volatilidade faz parte do mercado, sempre fez e não é algo que vai desaparecer. O que fazemos é dar ferramentas para o cooperado tomar melhores decisões. Isso passa por informação de mercado, orientação comercial, alternativas de comercialização e gestão de risco. Além disso, a diversificação de atividades e o planejamento antecipado ajudam a reduzir exposição e melhorar previsibilidade de resultado.

AgriBrasilis – O produtor está mais seletivo na hora de comprar? Quais fatores pesam mais nessa decisão?

Dourivan Cruvinel – Sem dúvida. O produtor está mais criterioso, mais técnico e mais orientado a resultado. Hoje ele avalia custo-benefício com mais profundidade, busca eficiência e retorno sobre o investimento. Fatores como performance comprovada, assistência técnica, confiança na relação comercial e previsibilidade de entrega pesam muito mais do que apenas preço.

AgriBrasilis – Agora é a hora do biodiesel? Como tem evoluído esse mercado?

Dourivan Cruvinel – É um mercado que acompanha uma agenda global de sustentabilidade e diversificação energética, além de agregar valor à cadeia de grãos. A tendência é de crescimento, com avanços regulatórios e aumento da mistura obrigatória. O biodiesel vem ganhando espaço de forma consistente, é um tema que está no nosso radar, sendo acompanhado com atenção, mas neste momento ainda não temos uma previsão definida de quando ou de que forma a COMIGO poderá atuar diretamente nesse mercado.

 

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