Pantanal teve, em 2025, o menor avanço anual de supressão de vegetação nativa desde 2001
Brasil
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a aprovação do acordo Mercosul–UE reforça o combate ao desmatamento ao condicionar a ampliação do comércio ao cumprimento da legislação ambiental. De acordo com o Governo brasileiro, a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e de 32,3% no Cerrado nos últimos três anos contribuiu para destravar o acordo. O acordo prevê o uso de dados oficiais para monitorar cadeias produtivas e evitar que exportações estejam associadas à perda de florestas. (MMA)
Programa ISS Neutro da Prefeitura do Rio de Janeiro, iniciativa que incentiva empresas a neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa por meio da compra de créditos de carbono certificados, já neutralizou mais de 240 toneladas de CO₂ equivalente desde sua criação. Apenas na terceira rodada, 10 empresas compensaram 122,9 toneladas, recebendo cerca de R$ 3,4 milhões em créditos tributários. A iniciativa incentiva a neutralização de emissões por meio da compra de créditos de carbono certificados e integra a estratégia do município para consolidar o Rio como polo de investimentos verdes. (Prefeitura do Rio de Janeiro)
Pantanal teve, em 2025, o menor avanço anual de supressão de vegetação nativa desde 2001, alcançando 291,21 km², segundo o monitoramento por satélite do Programa de Monitoramento do Desmatamento no Bioma Pantanal (Prodes Pantanal). Em relação a 2024, a redução foi de 65,4%. A maior parte da área suprimida ficou em MS, com destaque para Corumbá e Porto Murtinho. (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
2º Leilão do Eco Invest destina R$ 100 milhões à recuperação da Mata Atlântica. Recursos do programa federal serão aplicados na restauração produtiva de cerca de 4 mil hectares de pastagens degradadas, com práticas agrícolas sustentáveis, contrapartidas socioambientais e monitoramento de emissões de GEE. (Tesouro Nacional; Ministério da Fazenda)
BNDES aprovou financiamento de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial S/A construir usina de etanol de milho em Luís Eduardo Magalhães, BA. Com recursos do Fundo Clima e da linha Finem, a unidade terá capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano e produzir 498 milhões de litros de etanol, além de coprodutos como DDGs, óleo vegetal e energia elétrica. O início da operação plena é previsto para 2027. (BNDES)
Governo do RS autorizou a operação de unidade em São Leopoldo que produz biometano a partir de biogás de aterro sanitário, ampliando a oferta de energia renovável e contribuindo para a redução de emissões de GEE. (Fepam; Governo do RS)
Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais com 265 instituições mostra que, embora 86% do mercado atribua alta relevância ao ESG, apenas 18% têm práticas totalmente implementadas. Cerca de 67% das instituições ainda estão em estágios iniciais de maturidade, com foco limitado a ações internas e pouca integração do ESG à estratégia de negócios. O principal desafio identificado é a falta de padronização e entendimento comum sobre sustentabilidade, o que aumenta o risco de greenwashing e dificulta a comparação entre produtos e instituições. (ANBIMA)
Gerdau passou a integrar a carteira 2026 do Índice Carbono Eficiente (ICO2) da B3, sendo a única produtora de aço presente no índice. (Gerdau)
Aon, multinacional de corretagem de seguros e consultoria em gestão de riscos (com atuação também em seguros rural e florestal), estruturou e apresentou no Brasil uma proposta de apólice em que parte do prêmio pode ser paga com créditos de carbono certificados, conectando o mercado segurador aos mercados de carbono voluntário e regulado. “A possibilidade de utilizar créditos de carbono como pagamento de apólices é um avanço concreto na direção de um mercado mais integrado, eficiente e alinhado aos desafios climáticos”, afirma Mateus Angelo, diretor de estratégia e broking para o Brasil na Aon. (Aon Brasil)
Justiça Federal suspendeu as licenças ambientais da usina de hidrogênio verde da Solatio, em Parnaíba, PI, após pedido do MPF. O processo aponta falhas no licenciamento, como ausência de outorga para uso de água e falta de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica para o consumo de energia previsto. A decisão determina a paralisação imediata das obras até que a empresa comprove a regularização da disponibilidade hídrica e a viabilidade técnica do empreendimento. (Ministério Público Federal – Piauí)
Governo do PA reduziu em 67% os focos de queimadas em 2025: de 55.298 registros em 2024 para 18.011 em 2025. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade também reportou queda de 91% nas áreas atingidas pelo fogo (de 24.278 km² para 2.079 km²) e atribuiu o resultado a ações de prevenção, fiscalização e ao Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais. (INPE)
Ministério Público de Alagoas ajuizou Ação Civil Pública contra a usina Utinga Leão para suspender queimadas de cana-de-açúcar em Pilar, perto de um condomínio residencial, citando poluição do ar, degradação do solo e riscos à saúde. O órgão diz que uma vistoria da Secretaria Municipal de Ambiente apontou ilegalidades e que houve descumprimento de requisitos técnicos, como horários e faixa mínima de segurança. A Justiça concedeu tutela de urgência determinando a suspensão imediata das queimadas; em caso de descumprimento, foi mencionada multa de R$ 50 mil por ocorrência, até R$ 5 milhões. (Ministério Público de Alagoas)
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis disse que a Petrobras ainda não explicou as causas do vazamento de fluido de perfuração na Foz do Amazonas, ocorrido no início de janeiro, e que a empresa só poderá retomar as atividades após entregar um relatório detalhado com as causas e as ações de mitigação, sujeito à análise do órgão. A Petrobras informou que o fluido de perfuração é biodegradável e que a perda foi contida e isolada, e afirmou que a operação permanece em condição de segurança. (ANP; Petrobras)
Pesquisa indica que o desmatamento acumulado nas últimas décadas já reduziu as chuvas no sul da Amazônia, porque a perda de floresta enfraquece a “reciclagem” de umidade que ajuda a formar nuvens e precipitação. Ao analisar dados de 1980 a 2019, os autores estimam uma queda de 8% a 11% nas chuvas anuais em partes do sul da bacia, o que aumenta o risco de secas, incêndios e prejuízos para a produção rural; o trabalho também sugere que alguns modelos climáticos subestimam esse efeito. (Nature Communications)
Ibama desmantelou um esquema de processamento, armazenamento e transporte de madeira ilegal no Pará, com foco em Altamira (distrito de Castelo dos Sonhos) e Uruará. A fiscalização resultou em mais de R$ 15 milhões em multas, apreensão de milhares de metros cúbicos de madeira, fechamento de empreendimentos e demolição de estruturas clandestinas, além de indícios de extração em terras indígenas e áreas protegidas. Em ação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal, também foram abordados caminhões na Rodovia Transamazônica (BR-230) transportando madeira sem documentação ambiental. (Ibama)
12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região condenou pecuarista a pagar R$ 514,7 mil decorrente do desmatamento ilegal de 983 hectares de vegetação nativa em Alta Floresta (Mato Grosso), entre 2002 e 2006. A decisão reformou a sentença para reconhecer que o dano moral coletivo é presumido (in re ipsa) em violações ao direito ao meio ambiente equilibrado e determinou a suspensão de incentivos fiscais e de acesso a crédito, evitando que recursos públicos financiem atividades ligadas ao ilícito ambiental. (TRF-1)
Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o acordo comercial entre o Mercosul e a UE ficou “equilibrado” e alinhado a desafios ambientais, sociais e econômicos, reforçando compromissos de sustentabilidade e clima. A pasta cita a queda do desmatamento na Amazônia (–50%) e no Cerrado (–32,3%) nos últimos três anos e destaca que o texto prevê informações sobre desmatamento e conformidade com a legislação ambiental para exportadores, além de promover bens sustentáveis e produtos da bioeconomia. (MMA)

América Latina
NTT DATA e Carbon Real anunciaram parceria para acelerar a certificação de créditos de carbono na América Latina usando dados “quase em tempo real”. A ideia é juntar medições feitas diretamente no campo, por sensores que acompanham a troca de gases como dióxido de carbono, com informações de satélite, para dar mais transparência e confiança aos créditos no mercado voluntário. A solução pode ser usada em projetos de conservação, agricultura, pecuária, áreas úmidas e manguezais, e as empresas dizem que o processo pode cair de vários anos para cerca de 20 meses, com meta de reduzir ainda mais. (NTT DATA; Carbon Real)
Uruguai terá cinco especialistas integrando o processo de elaboração do Sétimo Relatório de Avaliação (AR7) do IPCC, principal referência científica global sobre mudança do clima. Os representantes atuam nos três Grupos de Trabalho do painel, bases físicas, impactos e adaptação, e mitigação, reforçando a contribuição do país na produção de evidências científicas para embasamento de políticas públicas climáticas em nível internacional. (Ministério do Meio Ambiente do Uruguai)
Governador da província de Chubut, na Argentina, Ignacio Torres, confirmou que o incêndio florestal em Puerto Patriada está contido após uma operação inédita com brigadistas, bombeiros voluntários e apoio aéreo de várias províncias. As chuvas ajudaram na contenção, mas o governo destacou o papel decisivo das equipes em campo. As áreas de Epuyén e El Hoyo seguem em monitoramento, sem novos focos ativos. (Governo de Chubut)
Segundo a Direção Nacional de Águas do Uruguai, 49% do território segue com condições hidrológicas abaixo do normal, especialmente nas bacias do rio Santa Lucía, vertente do Atlântico e Laguna Merín, situação que persiste há até cinco meses. Para janeiro e fevereiro de 2026, a projeção indica 70% de probabilidade de manutenção de vazões baixas, com possível melhora gradual apenas a partir de março, ainda sem descartar a continuidade do déficit hídrico. (Dinagua; Ministerio do Meio Ambiente)
Ministério do Meio Ambiente do Peru publicou projeto de orientações para o desenho e a operação de créditos de biodiversidade, abrindo consulta pública sobre o tema. A proposta estabelece princípios, critérios técnicos e salvaguardas para garantir integridade ambiental, resultados mensuráveis e distribuição de benefícios, além de incentivar mecanismos inovadores de financiamento ambiental, em linha com a Meta 19 do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal. (Minam; Governo do Peru)
Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais realizou operação no distrito de La Salvia, Los Quemados, na província de Monseñor Nouel, para recuperar e proteger áreas de preservação nas margens do rio Yuna. A ação incluiu a remoção de construções e cercas irregulares, notificações aos ocupantes e reforço da aplicação da Lei 64-00, com apoio do SENPA (Serviço Nacional de Proteção Ambiental) para prevenir novas ocupações ilegais. (Ministério do Meio Ambiente)

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